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AO MEU FUTURO "TAL". SE É QUE EXISTE(S).

19-03-2016 19:54
AO MEU FUTURO "TAL". SE É QUE EXISTE(S).
 
Espero que estejas preparado para lidar com toda a tempestade que eu sou. Mas não te acanhes. Nem te deixes enganar. Sou mais do que alguma vez te mostrarei nos primeiros momentos em que estivermos juntos. E eu sei que vais ter a paciência para desvendar tudo aquilo que não revelo, à partida. E eu hei-de meter-me contigo. Hei-de chamar-te de “idiota” a cada frase. Hei-de enxotar-te com ambas as mãos, de cada vez que te aproximas, enquanto me rio. Hei-de dizer-te o quanto acho o teu penteado ridículo.
 
Estou sempre a dizer piadas. Nunca à espera que te rias, até porque hei-de me rir sozinho, de qualquer maneira. Mas também adoro que me façam rir. É das capacidades que mais aprecio em alguém. E eu sei que, se chegámos a este ponto, é porque tu a tens em ti.
 
Às vezes, quebro. Perco as estribeiras. Grito a plenos pulmões e passo-me por completo. A culpa não é tua. Mas sim de todos aqueles que te antecederam, e que de tal forma me deixaram coberto em feridas. Não é justo, eu sei. É uma injustiça enorme teres de ser tu a lidar com as réplicas de todos os meus antigos terramotos. Mas, como és tu, sei que farás os máximos para me compreenderes, mesmo que nem sempre sejas capaz de me entender.
 
Antes do primeiro café do dia, saberás de imediato que não me deves fazer muitas perguntas. E, quando discutirmos, evitarás ao máximo ser sarcástico comigo. E, no entanto, também serás capaz de me mandar parar, quando for eu a fazê-lo. É um dos meus grandes defeitos, sabias? Esse e o de achar que tenho sempre razão. Mas eu sei que irás sempre arranjar uma forma de me apontar os meus erros. Só assim é que eu aprendo, percebes? Eu sei que o fazes melhor do que ninguém.
 
Gosto de sair à noite. Gosto de beber os meus copos, de vez em quando, com os meus amigos. E, no entanto, adorarei completamente todos os nossos serões passados a sós, num lugar qualquer. De nada me interessa, desde que lá estejas. Acompanhar-te-ei para qualquer lado, de sorriso no rosto. Respeitarei o teu espaço por completo, por saber que tu sentirás a minha falta, por entre esses momentos. E serei sempre franco, por mais que seja difícil de dizer e difícil de ouvir. Porque também eu quero que o sejas comigo. Sempre.
 
Mas sou-te sincero. Provavelmente, quando me encontrares – seja de que maneira for – ainda estarei um tanto feito em pedaços. Mas eu sei que tu farás o que for preciso para te lançares na busca por todos eles. E que os juntarás, um a um, com todo o carinho do mundo. Para, no fim, mos devolveres num coração inteiro e preparado para te amar como ninguém. Como tu e só tu mereces. E confesso-te que estou coberto de cicatrizes, à flor da pele. Mas também sei que tu – e somente tu – as beijarás, uma a uma; as amarás como parte do meu ser – esse, que tanto amas, apesar do quão fragilizado se encontra.
 
Não ando à tua procura, nem estou propriamente à tua espera. Não creio que o amor funcione assim. Ou talvez (até) já te conheço, quiçá? És um mistério recôndito e eu (já) te amo por isso. Não tenhas pressa, que amar nunca deve ser apressado. Nem tanto previsto. Prometo-te que jamais serei perfeito, mas que farei de tudo para te entregar todos os meus lados, sem esquemas, sem jogos e sem nunca deixar que o medo se meta no nosso caminho.
 
Não preciso que me salves, porque não sou indefeso. Nem te peço que me concertes, porque não sou um brinquedo partido; quero que me aceites por tudo o que sou. E só preciso que nos dês tempo suficiente para mostrarmos um ao outro do tudo o que somos capazes. Nós merecemo-nos. Só preciso que acredites em mim, em ti e em nós. E que mantenhas essa força de vontade, até depois de me conquistares; mas também para me manter.
 
Enfim, será um derradeiro prazer conhecer-te.
 
A.F.

 

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SER-SE DOS AÇORES É TER SAUDADE.

18-03-2016 18:35

SER-SE DOS AÇORES É TER SAUDADE.

Ser dos Açores significa mais do que ser-se de uma ilha; significa pertencer a um grupo. A uma realidade que tão poucos têm o privilégio de viver. Ser dos Açores significa mais do que ter um sotaque diferente e expressões engraçadas, como ‘blica’, ‘gama’ ou ‘passar o mapa’. Ser dos Açores significa mais do que comer inhames com linguiça ou torresmos, ou ter o mar sempre ao alcance da vista. Ser dos Açores significa mais do que saber a vida de toda a gente da nossa freguesia.

Ser dos Açores significa ser grande, num sítio pequeno. Significa estar sempre perto da família e daqueles que querem o nosso bem. Significa Verões à beira da costa, ou na esplanada do nosso café favorito, com as nossas pessoas preferidas. É sentir a brisa do Oceano, mal saímos de casa. É acampar com os amigos, no meio de descampados e mato, em noites frescas, quando só o álcool e a música nos aquecem. É ter aquela infância de sonho, a correr de um lado para o outro, no meio de animais e de rochas, a apanhar peixes com o camaroeiro. É poder andar pela vila, de madrugada, sempre com sensação de segurança. É levar com furacões e, mesmo assim, sair para a rua.

Mas também significa saudade. E quem conhece melhor a Saudade, do que um Açoriano que teve de abandonar o seu lar? (...) Significa, para muitos, a derradeira partida, rumo ao grande Continente. Significa despedir-se dos amigos, da família e dos lugares que já tão bem conhecíamos, para partir para o completo desconhecido.

Ser Açoriano significa, mais tarde ou mais cedo, ter de dizer ‘Adeus’... mas só por enquanto. Porque, mais tarde ou mais cedo, e mesmo que só por um bocadinho... acabamos sempre por lá voltar, para matar estas saudades gigantes que só um Açoriana as sabe.

 

A.F.

 

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OS (D)ANOS MUDARAM-ME. E DEPOIS?

16-03-2016 19:25
OS (D)ANOS MUDARAM-ME. E DEPOIS?
 
“Tu mudaste. Tenho saudades de quem eras.” (Tretas!) Queres saber uma coisa? De pouco ou nada eu sinto falta de mim; da pessoa que eu costumava ser, outrora, noutros tempos, noutro lugar. E queres saber porquê? Porque a vida é mesmo assim. Porque tudo o que por mim passou e porque tudo o que eu vivi, por entre todos esses anos que enfrentei, transformou-me naquilo que sou hoje. Todo esse acumular desenfreado de coisas, de histórias, de pessoas, de decepções, de descobertas mudaram-me. E de que maneira. Nem sabes tu o quanto.
 
E depois? Diz-me, não achas que é suposto ser assim? Diz-me, era suposto eu permanecer na mesma pessoa que era, há - digamos - 5 anos atrás? Tenho a certeza que esse meu ‘eu’, que já nem sou, nem me iria reconhecer agora. E sabes que mais? Ainda bem. E sabes porquê? Porque eu acredito que nenhum de nós deve ser uma personagem plana; imutável. Nunca ninguém poderia levar uma vida sendo sempre uma constante. E porquê? Porque nós mudamos com o passar dos anos; sem sequer darmos conta de imediato.
 
E depois? Diz-me, como poderíamos nós permanecer exactamente como sempre fomos? Depois de tudo o que sofremos, como poderia ser possível passar por isso impune? Depois de todas as mágoas, das feridas à flor da pele, das dores nos ossos e no peito, como é que poderíamos continuar quem éramos, antes de tudo isso? Nunca seria possível, e muito menos aconselhável. E queres saber porquê? Porque nós mudamos com o passar dos danos. (E ainda bem.)
 
(Re)lembro a rapaz que eu era. Aquele que encarava o amor como a sua derradeira salvação. Aquele que acreditava que todas as pessoas tinham um fundo maravilhoso. Aquele que lutava pela salvação de todo o mundo à sua volta. Aquele que era capaz de colocar tudo à sua frente. Aquele que batalhava desenfreadamente para que tudo na sua vida durasse para sempre…
 
E sabes que mais? A única coisa de que sinto falta é da ingenuidade; da inocência daqueles tempos que já lá vão, para nunca mais voltarem. Era tudo tão mais fácil, afinal de contas. Tempos, aqueles, em que amar era o suficiente para se moverem montanhas e cortarem-se distâncias. Tempos, aqueles, em que a amizade era saltar pelo recreio e trocar bilhetes nas aulas, às escondidas. Tempos, aqueles, de ter os pais no quarto ao lado, para me salvarem dos pesadelos. Mas sabes que mais? Ainda bem que esses tempos já lá foram, para nunca mais voltarem.
 
Todos temos de crescer. E, por mais assustador que tal nos pareça, temos de mudar, também. Não por completo, como é óbvio, até porque a nossa essência há-de se manter sempre (e se quiseres mudá-la, tudo bem!). A mudança não existe para a temermos, como se fosse algo que (se) nos tirasse ou afastasse de nós… mas sim como o processo que nos amadurece, que nos acrescenta e que vai formando, aos poucos, o nosso carácter.
 
A única coisa que temos, sim, o poder absoluto de manusear é a escolha entre mudar para melhor, ou para pior… No meu caso, sim, admito que me tornei um pouco mais frio, mais complexo, mais de-pé-atrás e, consequentemente, muito mais difícil de lidar… E depois? Diz-me, não achas que era suposto eu mudar(-me), depois de tudo o que passei?
 
Eu gosto da pessoa que sou hoje. E tenho a plena consciência de que ainda muito em mim irá mudar. Talvez, qualquer dia, deixo de roer as unhas, ou de fumar, ou de conceder oportunidades a quem não as merece de todo. Mas, para já, aceito-me como sou e aceito tudo aquilo que vier de braços abertos… Eu sou uma constante evolução do meu ser. E não tenho medo nenhum disso.
 
A quem sentir saudades de quem eu era… Pena! Só os fracos teimam em viver no que já lá foi.
 
A.F.

 

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AO TEU FUTURO NAMORADO...

25-02-2016 22:10
Eu espero que saibas que, nas tuas mãos, tens um valente tesouro. Daqueles que passam por nós só uma vez na vida: portanto, que seja desta. Tomara eu poder ser tu, só para ter uma segunda oportunidade... É nisso que te invejo mais, no meio disto tudo.
 
Espero que saibas que ele não é de muitas palavras. E mais que isso: raramente conseguirá expressar-se da forma mais adequada. Não é por falta de esforço, claro que não. Mas dialogar abertamente nunca fez parte dele. Ele prefere os gestos minuciosos às palavras. Ele prefere mostrar-te que gosta de ti, em vez de dizer-to simplesmente. Muitas vezes, parecerá que não te está a escutar com atenção, mas acredita: ele está a fazer o seu melhor. Apenas, para ele, o silêncio é a melhor opção quando não se sabe bem o que dizer.
 
Espero que saibas que ele é das pessoas mais distraídas à face da terra. Há-de se esquecer de compromissos e de datas. Não quer dizer que não se importa, apenas que a sua cabeça está constantemente a divagar. Tenta ser compreensiva, o máximo que puderes. Porque acredita: levantares-lhe a voz é o primeiro passo para que ele te vire as costas. Não por cobardia, ou por falta de paciência, mas por achar que nada se resolve aos gritos.
 
Ele é calmo até dizer chega. E eu sei que, por vezes, vai fazer-te sentir como se não lhe fosses importante o quanto baste, mas isso não é verdade. Se ele está contigo, acredita: tu importas. Aliás, és aquele que tem um lugar especial na sua vida e na sua mente. És aquele em quem ele pensa antes de adormecer. És aquele que ele recorda, quando estás longe. Mas ele não te dirá essas coisas, porque ele assume que já as sabes. Faz parte dele ser assim. Não é por mal, acredita em mim.
 
Haverá dias em que o sentirás mais ausente que nunca. Podes perguntar-lhe o que se passa as vezes que quiseres, que ele dir-te-á sempre que é nada. E, na verdade – e eu sei que custa a acreditar -, maior parte das vezes é mesmo assim. Ele apenas se fecha por entre muralhas – antigas amigas -, para tirar o seu tempo para si. Ele precisa desse tempo e dessa defesa, porque sempre lhe foram inatos. Nesses momentos, dá-lhe o seu espaço, mas assegura-te que ele sabe que continuas lá. Eu sei que é difícil esperar por quem amamos. E eu sei que é terrível sentir na pele a ausência do seu olhar e do seu corpo... Mas acredita em mim: ele volta. Melhor do que nunca e pronto para te dar todos os carinhos que quiseres.
 
Eu espero que saibas que ele nem sempre dirá as coisas certas. E que, muitas vezes, te irá deixar mais que confuso com as suas atitudes estranhamente vagas, mas acredita em mim: esse homem amar-te-á com tudo o que tiver e por tudo o que tu és. E enquanto fores digna desse amor, acredita que ele fará com que todos os momentos valham a pena. Levar-te-á a passear de madrugada, para juntos verem o sol nascer. Dançará contigo à chuva, enquanto todos os outros se abrigam num local seguro. Mostrar-te-á como é que se desfrutam momentos e se vive a vida em pleno. É esse o tipo de homem que ele é. Sempre foi assim. Agarra-te a ele, mas não te esqueças de deixá-lo respirar.
 
Ele não é o homem que te salva das trevas. Ele é o homem que te mostra que existe luz em todo o lado, se olhares como deve ser. Ele é aquele que te mudará a vida por completo, ao ponto de já nem te lembrares de como este era até ele ter aparecido. E acredita em mim: se alguma vez o tomares como garantido, ele escapar-te-á. E essa dor - a da sua perda - permanecerá a latejar-te no coração para sempre. Vai por mim... a que o perdeu, outrora.
 
Guarda-o bem. Ama-o bem. E nunca o deixes escapar.
 
Nem sabes a sorte que tens: uma oportunidade vinda dele. O que eu não dava para estar no teu lugar... Mas bem, a minha vez já passou.
 
 
A.F.

 

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MORRESTE-ME, À HORA MARCADA

20-02-2016 20:38
MORRESTE-ME, À HORA MARCADA.
 
O amor perde-se por uma coisa de nada... e muito dificilmente se volta a encontrar.
E como poderíamos voltar atrás, ou repetir tudo... se já nem somos mais os mesmos?
 
Apercebo-me que relações de anos podem chegar ao fim numa questão de segundos: por um mero acto, por meras palavras. Como um castelo que com tanto carinho e atenção construíramos - pedra a pedra -, e que, face ao tremor de terra, rui à frente dos nossos próprios olhos, tarde demais para sequer o podermos impedir. Mal damos por isso. É tudo tão súbito, que só nos apercebemos de que o fim chegou, quando já só nos restam cacos espalhados pelo chão. (...) E não será essa a realidade mais dolorosa de todas?
 
Durante tantos anos, amei-te em segredo. Amei-te sem sequer saber que te amava. Amei-te escondida por detrás de uma máscara de quem nem ama ninguém, e passado algum tempo quase que me convenci disso mesmo. (...) Mas os teus beijos puxavam-me sempre para trás e traziam-me sempre para a cruel realidade que nunca quis aceitar: eu amava-te com todos os centímetros do meu coração. E durante demasiado tempo inventei desculpas para não acreditar que tal seria suficiente.
 
O meu Amor por ti transformou-se numa espécie de paragem de autocarro, onde nos sentamos à espera que o que queremos apanhar chegue. E eu nem sequer me importava de esperar, por mais curto que fosse o percurso. E por mais saídas erradas que tomasse. E por mais turbulência que passasse. Valia a pena simplesmente por seres tu. Por seres a jornada que eu não me importava de repetir até ao fim dos meus dias.
 
Amar-te tirou-me e deu-me tanto, que tu jamais conseguirás imaginar. Por mais que to diga. Por mais que to escreva. Mas eu nunca me importei, porque tu voltavas sempre... Era essa dor de te ver partir, misturada com a segurança de que irias vir ao meu encontro, que me fazia ficar. Sempre fora assim. O meu problema foi ter acreditado nisso mesmo: que o meu Amor por ti seria sempre o suficiente para te manter aqui. Mesmo que não te pudesse dar mais nada. (E não podia.)
 
Já não somos mais aquelas criancinhas de 15 anos - iludidas, ingénuas - que acreditavam ter todo o tempo do mundo; e todos os sonhos; e todas as oportunidades. Não. O tempo esgotou-se e jamais o teremos de volta. Os sonhos morreram, por nunca termos sequer lutado por eles. E as oportunidades já vão tão lá atrás, que já nem as conseguimos ver. E é assim. Foi esta a cama que fizemos os dois: aliás, duas camas separadas.
 
Nós os dois somos os únicos culpados da morte de um Amor que tanta estrada tinha por caminhar. E sim, eu sei que errei... Mas, então, e tu? Tu foste o que não perdoou. (...) E foi assim que nos destruímos: eu construí a bomba e tu fizeste-a detonar.
 
Assim, se fez história. Tínhamos tanto Mundo na mão e, agora, nem a mão um do outro podemos agarrar. Deixámo-nos partir e eu sei que, desta vez, não será para voltar. Cansei-me das voltas e contravoltas; das nossas recaídas bruscas e incontroláveis; dos encontros em segredo com sabor a crime e de todas as coisas que passaram a representar-nos. Éramos mais do que isto, lembras-te? Ou talvez nem éramos tanto assim.
 
Talvez foi isso mesmo que nos condenou, desde o princípio. Pensarmos que éramos mil exércitos em sintonia, quando mais parecíamos duas frentes de batalha em luta uma contra a outra.
 
Mas já nem vale a pena pensar mais nisto. Foi este o Destino que ambos escrevemos... e já está na hora de pararmos de tentar culpar tudo o resto à nossa volta.
 
 
 
Desejo-te toda a felicidade, (mesmo que sem mim
 
A.F.

 

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VIVES RÁPIDO, MORRES RÁPIDO. SIMPLES.

20-02-2016 20:31

 

Vive-se demasiado rápido. Estamos constantemente a apressarmo-nos, seja para o que for. Acordamos, dia após dia, e temos agenda premeditada na nossa cabeça. Corremos de um lado para o outro, mecanicamente, só com o destino marcado em vista. E tornamo-nos cada vez mais incapazes de saborear o que quer que seja. Os momentos passam por nós, e nem os vivemos. Lá está: vivemos demasiado rápido e morremos mais depressa ainda.

Mais que isso: amamo-nos demasiado depressa. Do género, “vou levar-te ao cinema, mas não te atrases”. Ou então, “beija-me agora, porque não me posso atrasar para o trabalho”. Os beijos longos tornam-se cada vez mais curtos. E os abraços apertados? Viram cumprimento cómodo, simplesmente porque cai bem e tem de ser. Lá está: amamos tão em frenesim e à pressa, que nos perdemos demasiado cedo uns dos outros.

Vivemos na era da impaciência. Somos a geração do querer tudo de ginjeira. E quando assim não o é, deixamo-nos estar. Nem nos importamos mais com isso. Somos do tempo do “estragou-se? Troca-se”, em vez do de “estragou? Concerta-se”. E que mundo é este, em que vivemos? Onde o amor é construído em cima do joelho, e onde se desiste aos primeiros abalos? Mas o que é isto? E que mundo é esse, em que até as coisas mais genuínas são banalizadas? Onde um “tudo” que durou anos, vira “nada” em breves segundos? Onde uma história de vida, é facilmente trocada por uma história de uma noite?

Temos de aprender a ter (mais) calma. A parar, por um momento, e a absorver o tudo que nos rodeia. Abraçarmo-nos durante uma eternidade. Beijarmo-nos durante duas. Não dizer “amo-te” de ânimo leve. Não amar sem se ser capaz de lutar o que for preciso. Temos de aprender a ser (mais) sinceros; connosco e com o mundo. E o que é que nos custa?

Aí está: somos da geração que quer trabalho, mas que não quer trabalhar. Queremos tudo de bandeja, na hora e já. Não sabemos esperar. Nem queremos. Regemo-nos por esta filosofia doente de “há mais peixe no mar”, quando só aquele raríssimo peixe – e mais nenhum – deveria ser o único capaz de matar a tua fome. Não queremos nos dar ao trabalho de lutar por manter, porque só a conquista tem piada. Queremos tudo tão fácil. E, assim, acabamos por nunca possuir realmente nada, nem chegar a lado nenhum. Vivemos como estúpidos ingénuos, acreditando que a felicidade vem de meios materiais, de confortos supérfluos e de festas sem fim. Vulgarizamo-nos e vivemos vidas tão vulgares, que acabamos por nem poder chamar ao que fazemos de ‘viver’.

Gostava de ter vivido no tempo dos romances e das cartas trocadas, que levavam tempo a receber e que nos faziam esperar ainda mais pelas respostas. Mas não. Vivo no mundo das sms, coisa tão trivial de trocar e mais ainda de ignorar. E no mundo em que se vive um romance todos os anos, sempre com uma pessoa diferente. “O tal” vira “um qualquer”, desde que me leve a sair umas vezes por semana e me dê presentes no São Valentim. O “amo-te” vende-se como produto em promoção. E, quando algo não resulta, segue-se logo para outra coisa qualquer. Cagamos e andamos, como se não passássemos de cavalos.

Temos todos de aprender a amar e a viver. A escutar e a observar. A acalmar esta pressa e esta fugacidade, que só nos atrasa mais do que qualquer outra coisa. E temos também de começar a perceber que as pessoas não são brinquedos e que esta vida não é um jogo para vermos quem ganha. Perdedores são aqueles que só sentem que ganham, ao fazerem outrem perder. E este mundo precisa de muitos mais vencedores. E continuadores. E lutadores. E o que é que nos custa, se o mínimo que podemos fazer é sermos o melhor que conseguirmos ser?

Um brinde aos beijos longos. Aos abraços apertados. Às conversas sem fim. Às tardes à beira-mar. Aos livros na cabeceira. Às músicas cujas letras sabemos de cor. Aos casais apaixonados que já passaram por muito, e que continuam a lutar para que se passe muito mais. Aos não desistentes. Aos românticos que ainda acreditam no amor verdadeiro e que fazem por isso. Às famílias que tiram tempo para estarem juntas. Aos homens que fazem uma mulher sentir-se única. Às mulheres que fazem um homem sentir-se invencível.

E, acima de tudo, um brinde a quem é capaz de, todos os dias, tornar o mundo de alguém num lugar melhor.

 

A.F.

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CARTA PARA MÃE

14-02-2016 21:27

Não há pior situação no mundo do que a do “tarde demais”. E o tempo foge-nos mais depressa do que estamos à espera. Nem damos por nós a adiar tudo o que seja: tarefas, planos, viagens, palavras, objectivos... Mas a realidade encontra sempre um jeito de nos chamar de volta. Para lembrar-nos de que o hoje é a única coisa que é nossa, e que devemos fazer dele o máximo que se puder. E essa realidade, na minha vida, vem em nome de mãe.

Tu, que trocaste tantas noites de sono pela minha choradeira infernal. Que me encaixavas sobre o teu peito, para que eu conseguisse finalmente pregar olho. Que gostavas tanto de me ouvir cantar desenfreadamente durante as viagens de carro. Que me fazias ataques de cócegas, quando eu estava mais rabugento, só para me fazeres rir. Que me acordavas todas as manhãs, para me acompanhares à escola. Tu, que sempre trabalhaste desmesuradamente para que nunca me faltasse nada, como te faltou a ti. Tu, que sempre me amaste e protegeste, por mais que eu errasse e desiludisse. Tu, que sempre foste a prova viva de que com ambição podemos alcançar todos os nossos sonhos.

Não há mulher como tu para mim,mãe, porque tu és uma força da natureza. És como aquele super-herói sem capa, mas cheio de super-poderes. O poder de transformar quereres em conseguidos. O poder de superar obstáculos, por mais que te desacreditassem. O poder de atingir meta a meta, levasse o tempo que levasse. O poder de amar um homem com tudo e até mesmo com nada, apesar de qualquer coisa. O poder de construir uma família e um lar, de mangas arregaçadas e pés no chão. Consegues entender o quão única e fantástica tu és aos meus olhos,mãe?

Nem sempre nos damos bem, é certo. Chamas-me de preguiçoso, e tens razão. Eu chamo-te de chata, e tenho razão também. Mas eu amo-te desmedidamente e acima de qualquer discussão parva. Principalmente naqueles dias em que ambos os nossos maus-humores chocam um com o outro. Não fôssemos nós tão parecidos... E espero, um dia, ter sequer metade da tua capacidade de luta. De perseverança. A de nunca deixar o medo de falhar levar a melhor. És o meu maior orgulho e o meu maior sonho é retribuir-te isso mesmo. E jamais descansarei até o fazer, porque tu mereces tudo isso vindo de mim. Porque foste tu quem me deu o mundo.

Eu amo-te e não quero (nunca) que seja “tarde demais” para o dizer. E eu admiro-te por tudo o que és, e desculpa-me por não to dizer as vezes todas que deveria. Mas nunca te esqueças. Lembra-te destas minhas palavras que te ofereço, nos dias mais cinzentos, cansativos, ou quando eu estiver longe. Lembra-te desta teu filho, que te amará para sempre, porque és tu o mulher da minha vida.

Serás sempre o pilar que me mantém forte. E a chamada para a realidade a que eu quero fugir, mas que tenho de enfrentar. Serás sempre o amor incondicional e eterno em toda a sua glória. Serás aquela de quem sinto sempre falta, mesmo que não falemos todos os dias. Serás sempre o doce mãe que trago sempre comigo, na pessoa que sou hoje. E quem seria eu sem ti?

Obrigada por tomares tão bem conta de mim e do pai. Obrigada por me mostrares que ainda existem príncipes encantados, capazes de tratar homens como os príncipes que são. Obrigada por seres minha.

Eu amo-te. E nunca será tarde demais para amar-te cada vez mais, a cada dia que passa.

do para sempre teu menino

A.F.

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TODOS COMEÇAMOS COMO ESTRANHOS

13-02-2016 21:15
É tão estranho amar-te. Mais estranho foi como tudo começou. Com tantas pessoas naquela multidão, foste tu que, sem fazer absolutamente nada, me prendeste a atenção. E eu, de tão estranho que sou, fui-me aproximando de ti. Mas ao chegar ao teu lado, apercebi-me que não tinha nada para dizer. Nem te conhecia. Eras um estranho qualquer. Agora? Agora estou aqui a amar-te e é tão estranho.
 
Acho estranho a forma como olhas para mim, como se eu fosse mais do que aquilo que mostro ao Mundo. Como se conseguisses ver todos os meus lados, até os que tão bem aprendi a esconder. Acho estranho a forma como me sussurras ao ouvido um doce “tenho saudades tuas”, apesar de eu estar mesmo ao pé de ti. Acho estranho a maneira como procuras sempre entrelaçar os teus dedos com os meus, mesmo que não te dê jeito. Acho ainda mais estranho o jeito como tu gostas de mim, sem pedir mais nada em troca, a não ser o meu amor.
 
É tão estranho amar. É tão estranho teres alguém do teu lado a adorar-te nos momentos em que mais te odeias. Alguém capaz de, por meio de um mero gesto ou palavra, iluminar os teus dias, ou deitar-te abaixo por completo. Alguém que conhece todas essas coisas que fazem de ti o que tu és, e que por mais assustadoras ou estranhas que sejam, continua a amar-te por seres tu. É tão estranho amares-me por aquilo que genuinamente sou. Nunca pensei que fosse possível.
 
Eu não sei querer-te melhor do que quero agora, porque nunca quis ninguém assim. E, muitas vezes, nem sei o que te dizer quando me abordas com palavras leves como penas e doces como caramelo. Porque é-me tudo tão estranho... Foi como me disseste, numa das nossas noites a sós: “Habituaste-te a ter de derramar o que sentes para o papel... Mas agora tens-me a mim a ouvir-te.” E isso é mesmo muito estranho, porque nunca tive ninguém tão afim de escutar tudo aquilo que tenho a dizer. Por mais estranho que soe. Por mais idiota que pareça. Nunca tive ninguém tão merecedor das minhas palavras como tu.
 
Sempre vivi por meio de letras. Sempre amei no papel, para o papel. Sempre sofri em silêncio entre palavras e paredes. Sempre fui incapaz de falar, de declarar o que sinto boca a boca. E, no entanto, ao teu lado, tenho vindo a aprender a viver e a respirar o Amor. A conversar acerca dele, a senti-lo, sem ter de o escrever. E é estranho – oh, se é! -, mas tu dás-me a coragem de me habituar a isso mesmo. À estranheza do Amor como nunca o conheci.
 
É tão estranho amar-te, mas sinto-me cada vez mais capaz de o fazer. E há quem diga que sempre fui uma rapaz estranho... e é verdade. Mas tu foste o primeiro a aprender a amar-me por isso mesmo. Começaste como um estranho numa multidão. Agora és o estranho que eu tanto adoro, e que tanto tenho adorado conhecer.
 
Então, e se continuássemos a ser estranhos juntos?
 
A.F.

 

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PAREM DE DEIXAR MARCAS EM VÃO, POIS ELAS NÃO O SÃO.

12-02-2016 21:03

Nós deixamos rastos por todas as vidas que passamos. Deixamos marcas espalhadas pela pele de todas as pessoas que alguma vez tocámos. Nunca marques ninguém em vão, porque essas mesmas marcas nunca se tornarão vãs, por mais que o tempo passe. Ainda há dias observei os contornos das minhas costas, do meu pescoço... E por lá ainda achei rastos meio nítidos daqueles que por mim passaram. E é verdade. Uns marcam-nos mais do que outros. E, no entanto, somos incapazes de nos esquecer de quem quer que seja.

E, muitas vezes, é esse o nosso problema. Não reconhecemos o poder do nosso toque; do nosso marcar. Limitamo-nos a vaguear por aí e a passar pelas vidas de uns e de outros, nunca parando para pensar, por um segundo que seja, no que poderemos estar a deixar fincado nas suas vidas. E, depois, no fim dos fins, partimos... Nunca parando um segundo para olhar para trás, observar essa pessoa de frente, uma última vez, e reparar no quanto fomos capazes de alterá-la. De marcá-la. Nunca somos capazes de nos questionarmos acerca do quanto estamos prestes a deixar certas tatuagens no seu corpo, que ali ficarão sempre para assombrá-la.

Não há nenhuma lei, nem nenhuma força que nos imponha a ficar para sempre junto de alguém, quando ninguém dura para sempre. Mas devíamos respeitar-nos mais. Jamais abandonar quem quer que seja, como se não fosse nada. Jamais deixar alguém simplesmente a sangrar e a latejar em ferida, por nossa causa, sem deixar nada para trás. E o que é que nos custa? Desculpar-nos? Justificarmo-nos? Digam-me: o que é que custa fazê-lo?

Já que vamos marcar-nos uns aos outros, de qualquer maneira, ao menos que, quando for para tudo acabar, que seja em paz. E em respeito. Porque essa pessoa que estás a deixar sozinha e magoada, outrora foi a que te curou os arranhões que tinhas à volta do coração, deixados por outra que nem se importou. Lembras-te disso?

Acreditem que, se assim o for, todas as feridas sararão mais depressa. E, assim, também mais depressa seremos todos capazes de seguir em frente.

A.F.

 

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para ti que és especial

12-02-2016 21:02

Mesmo que a estrada seja longa olharei para o céu e encontrarei a esperança perdida eu tenho tudo o que preciso quando tu estas comigo olho ao redor i vejo uma vida agradável .
Estou preso no escuro mas tu és a minha luz tu me guias durante a noite meu coração dispara quando tu iluminas os meus olhos não posso mentir pois e uma vida tão doce porque tu és a minha luz  A.F para Z.G..

 
A.F.
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ÂNGELO FERNANDES