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TENHO SAUDADES TUAS, SABIAS?
07-01-2016 21:15Tenho saudades tuas, sabias? Eu sei que as sabes. E eu sei que também as sentes.
E isto é tudo tão novo para mim, porque sempre fui eu que sentia a falta toda - sozinho. Porque era sempre eu quem lutava contra o tempo e contra a distância - sozinho. Agora? Agora não estou mais só, e isto é tudo tão novo para mim… Que já há tanto me habituara à solidão.
Quero falar de ti ao mundo. Mas, antes disso, quero percorrê-lo contigo. De dedos entrelaçados aos meus, enquanto viajamos sem destino algum. Porque perder-me nos teus braços será sempre a melhor perdição e o melhor dos encontros. Porque render-me aos teus lábios nunca saberia a derrota. Porque tu sempre quiseste dar-me até mais do que tens. E isso é tudo tão novo para mim… Que já há tanto me habituara a ser sempre deixado sem nada.
Tenho saudades dos passeios pelas ruas infundas e imundas da cidade, meu amor. Tenho saudades do teu olhar de encanto, sempre que me olhas de soslaio, para que eu não notasse - nunca tiveste muito jeito para o disfarce - de todo. E nem sabes o quanto admiro isso em ti. Essa tua incapacidade de esconderes-te de mim. Alicerçada à minha incapacidade de fugir-te. E como poderia eu fugir de ti? Tenho tantas saudades tuas, sabias?
Encontrar-te foi como abrir um daqueles livros antigos que tanto gostamos de folhear, e aperceber-me que este está completamente repleto de páginas em branco. Sem quaisquer resmas de tinta na superfície das folhas. Não existe qualquer paginação, nem capítulos separáveis ou pontos parágrafos, e muito menos regras gramaticais. Apenas esta sucessão de nuvens brancas e opacas que sentimos com as pontas dos nossos dedos. Onde ambos existimos e vivemos uma história fluída e livre, sem qualquer intenção de rever as páginas que estão para trás. E as que estão pela frente, encaramo-las como milhares de possibilidades que nos esperam, seja onde for; seja como for; seja com quem for; seja quando for. Neste livro, podemos deitar-nos na cama, um ao lado do outro, e sussurrar histórias até ao sol espreitar por detrás das persianas.
Neste mundo, passeamos pelas avenidas de braço dado e rimos de vozes erguidas ao céu. Neste local, - o ponto onde ambos os nossos corações se cruzaram, sei lá eu como -, inventamos prosas e poesias, trocamos segredos e criamos romances que não precisam de ser em Paris, nem em Londres. Aqui, jorramos as nossas lágrimas nos braços um do outro, discutimos sobre o amor por entre cervejas baratas e ainda passamos uma viagem pela auto-estrada em silêncio e a pensar como gostaríamos que a viagem pudesse ser mais longa. Neste livro, somos o mais reais, livres e genuínos que poderíamos ser ao lado de alguém.
E o tempo passou por nós… Ai, se passou… E foi tão bom poder saborear o escassear das horas contigo. Como foi dolorosamente gratificante poder ver o tempo a esvair-se por entre os nossos dedos enquanto andávamos de mãos dadas. Como foi tragicamente mágico sentir o tempo que tínhamos a esgotar-se, ao mesmo tempo que te sentia adormecer ao meu lado. Como foi tão terrivelmente bom ter de contemplar-te e saborear-te ao máximo, por saber que jamais serias certo de ficar. E, por fim, o quão abençoada foi a maldição de ter de venerar cada uma das horas que passei contigo, mesmo sabendo que cada uma delas te afastava cada vez mais… Ai, se afastou…
Não podias estar mais longe… nem mais perto… do que estás. Tenho saudades tuas, sabias?
A.F.
Ler maisÉS UMA REPETIÇÃO DOS TEUS PRÓPRIOS ERROS
21-11-2015 23:01ÉS UMA REPETIÇÃO DOS TEUS PRÓPRIOS ERROS
Sinceramente, não te entendo. Estás constantemente a dizer-me aquilo que devo, ou não fazer e que, como rapaz espectacular que sou, não mereço passar por certos tipos de situações. Aconselhas-me e eu ouço-te - tudo bem. Agora, olha para ti… Feito rapaz perdido num jogo qualquer onde a outra pessoa já deixou o tabuleiro há muito. Mas estás à espera do quê para deitar abaixo o baralho e encarregares-te simplesmente de seguir? Eu sei que não é assim tão fácil, mas PELO AMOR DE DEUS, tu nem sequer tentas. Limitas-te a deixar-te ficar num arrastamento idiota, a mirar o pó a formar-se ao longo dum lugar qualquer que já toda a gente esqueceu. Menos tu. E porquê? Porque é que te continuas a agarrar tanto a uma mera miragem, que já há tanto partiu e nem te deixou nada? Porque é que não consegues acreditar que és realmente melhor do que tudo isso? E aí está o problema: tu não me ouves, nem a ti. Andas a dar ouvidos a um monstrinho qualquer que anda aí dentro, fechado algures num canto da tua mente, onde a consciência é incapaz de chegar. Magoa-me, sabias? Magoa-me saber o quão óptimo rapaz tu és. Aliás, nunca antes conhecera nada assim. E, no entanto, estás a perder-te tanto (demasiado) numa cegueira ingénua e teimosa que nenhum bem te trará. Acabou, percebes? Escuta-me, por favor, não te limites a acenar com a cabeça. Pára de alimentar esse bicho que te está a consumir na cabeça e segue em frente! Já não tens nem armas, nem oponentes, nem campo de batalha… Até a razão para lutar tu já perdeste.
A.F.
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AO MEU SEGUNDO AMOR
21-11-2015 22:55
Eu não fui o teu primeiro amor. Nem tu foste o meu. E ambos sabemos disso. Ele encontrou-te numa altura em que tu nem sabias que eu existia. E ele teve o meu coração antes dos meus olhos sequer terem olhado na tua direcção. Eu nunca o conheci e tu nunca o conheceste. E ambos sabemos disso.
Nós raramente falamos acerca deles. Às vezes, por entre uma conversa qualquer tardia entre nós, eu confesso-te entre suspiros o quanto ele me magoou outrora. Tu, por outro lado, sorris e falas-me do quanto cresceste por causa dele. E não passa muito daí. Nem nenhum de nós insiste em saber mais, e isso talvez seja uma razão para sorrirmos os dois. Como se já nada nos chamasse de volta. Como se todas as portas e caminhos que nos pudessem levar ao passado, estivessem bem trancados e selados. Como se tudo o que existe lá atrás não fosse mais o suficiente para nos impedir de seguir em frente. Apercebo-me cada vez mais de como tudo isso é bem verdade.
Eles foram os primeiros e ambos sabemos disso. E ambos aceitamo-lo sem intrigas nem invejas. Aliás, eu só quero agradecer-lhe por te ter deixado suavemente, respeitando-te até ao fim. Enquanto tu só queres esbofeteá-lo por me ter deixado feito em pedaços. Eu quero que ele me conte como é que tu eras nesses tempos de ingenuidade. Tu só queres virar-te para ele e dizer-lhe que serás o homem para mim que ele nunca fez por ser.
Tu não foste o meu primeiro e não te importas, porque tu bem sabes que as lições mais dolorosas, que eu tanto tinha de aprender, já as aprendi com ele. E eu não fui a teu primeiro, sei bem disso e não me interessa. Pois foi ao lado dele que tu aprendeste a amar e, por isso, sais-te tão bem ao fazê-lo comigo.
Nós não fomos os primeiros um do outro. Não fui eu a primeiro a segurar o teu coração nas mãos, nem fui o primeiro a despedaçá-lo por tê-lo segurado com demasiada força. Nem foste tu o primeiro a quebrar-me as promessas de mindinho, nem a garantir-me um futuro que nunca haveria de chegar.
Eu não fui a teu primeiro, mas sabes o que fui? Fui quem procurou todos os teus estilhaços pela calçada e que os juntou num coração inteiro, pronto para amar de novo. Tu não foste o meu primeiro, mas sabes o que tu foste? Foste aquele que me fez voltar a acreditar em todas aquelas coisas que eu passei a julgar impossíveis.
O que eu estou a tentar dizer é que ambos os amores são tão diferentes um do outro. Ele foi o meu shot de tequila numa noite de Verão; foi a aventura desenfreada e intensa, completamente fora de controlo. Ele foi a tempestade que surgiu do nada nesse teu deserto, que não estava de todo preparado para tamanha monção. Mas tu és o meu copo de vinho, que me aquece nas noites frias. E eu sou a cama que te espera em casa, depois de um longo dia.
O primeiro amor nada tem a ver com o segundo: nunca poderia. Porque foi ele quem me fez perder o chão, enquanto que tu me deste um tecto. Ele deu-me asas para voar, mas és tu quem faz por me amparar as quedas e beijar-me as feridas. Ele prometia-me o mundo e a lua, mas és tu quem faz por estar presente no brilho dos meus dias e no luar das minhas noites. Ele foi a intolerância que não aceitava as minhas falhas, ao passo que tu és a paciência que lida com as inseguranças que esse me deixou. Ele foi quem eu amei, acima de mim mesmo. Tu és quem eu amo, enquanto me amo também a mim.
Tu não foste o meu primeiro, e depois? Isso jamais faria de ti menos do que ele. Afinal, foste tu quem me mostrou que o amor é esta energia renovável, que não se esgota à primeira. Foste tu quem concedeu uma nova oportunidade ao meu coração, que sempre acreditou ter mais para amar. Foste tu quem me mostrou porque é que o primeiro amor seria o esboço que me viria preparar para a verdadeira história.
Eles foram os primeiros. E então? Não há razão para tristezas. Ambos prometemos um ao outro que iríamos fazer melhor desta vez, e eu finalmente acredito que somos capazes disso mesmo.
A.F.
Ler maisA PESSOA DOS TEUS SONHOS [NÃO] EXISTE
21-11-2015 22:53
Sempre esperei encontrar o amor de uma forma dramática e quase cinematográfica. Eu iria para uma livraria qualquer, nos arredores do centro da cidade, e iria esbarrar contra o dito homem da minha vida. Depois de umas trocas de olhares, acabaríamos a conversar num miradouro até o sol se pôr, perdendo a noção do tempo por completo. No entanto, tal não se sucedia. Aliás, dava sempre por mim a aproximar-me de alguém e, ao mesmo tempo, sempre sentindo uma espécie de espaço impenetrável entre nós. Como dois campos magnéticos que só se sabem repulsar. Cheguei mesmo a acreditar que estava amaldiçoado… Até que: lá estava ele.
Senti de imediato algo diferente. Não acredito [de todo] em amor à primeira vista. Acredito, sim, neste campo de forças que se fazia sentir entre mim e ele. Não se tratava de nenhum abismo, como sempre fora com outrem. Não se tratava de mera luxúria, nem tão pouco de uma mera curiosidade. Nada disso. Era como se, imediata e instantaneamente, um vislumbre de amor tivesse surgido do nada, como aquelas tempestades de Verão, que nunca são previstas e que só nos apercebemos que cá estão, assim que acordamos ao som da trovoada lá fora.
Lá está: o amor não se encontra nas livrarias, nem nas esplanadas. O amor não se acha naquela mulher que preenche todos os teus requisitos, nem naquele homem que corresponde a todos os teus desejos premeditados. Nada disso. O amor está concedido nas mais pequenas e simples coisas. Na forma como ele me acorda, ao de leve, beijando-me a testa calada. No jeito com que ele encosta o seu corpo ao meu, quando estamos sentados um ao lado do outro, seja em que sítio for. Na maneira como ele, sempre que me sente demasiado sério, atira uma piada ao ar só para me fazer rir (mesmo que faça figura de parvo, de todas as vezes). Nas alturas em que ele me beija de repente, por saber que eu não estou à espera. E nos momentos em que ele atura o meu mau humor matinal, como se nem a maré mais brava o conseguisse demover.
Ora aí está: o nosso maior erro é acreditarmos cegamente que já sabemos tudo aquilo que queremos em alguém. Elaboramos estas listas fictícias dentro das nossas cabeças e damos por nós à procura desse ideal de perfeição. Assim que nos aparece uma pessoa que, à partida, não vai de encontro àquilo por que tanto esperávamos, nós hesitamos. E, muitas vezes, quando nos apercebemos que aquele alguém era, de facto, o melhor para nós,… já é demasiado tarde.
As pessoas não são listas. As pessoas não são listas de compras que tens de analisar, para ver se não te esqueceste de nada. E o amor jamais deveria ser resumido a algo tão superficial e calculado como isso. Não percebem? O amor está concedido nas mais pequenas e simples coisas. Naquelas horas da noite que ele passa à espera que o dia nasça, só para me poder ver chegar. Naquele banco de jardim, onde ele colocou o braço à minha volta, para me proteger do frio (não fosse eu a teimoso que nunca diz que o sente!). Naquelas minhas quedas, em que ele escolheu mergulhar no buraco negro onde eu me perdera, só para me trazer de volta. E naquele momento em que ele admitiu estar com medo, só porque sabia que eu não merecia nada mais que a verdade.
A pessoa certa para ti nunca será aquela que imaginaras em sonhos. Mas sim, aquela que vai aparecer e mostrar-te que, na verdade, tu nunca soubeste realmente aquilo que procuravas; aquilo que merecias - até esse alguém ter aparecido mesmo em frente aos teus olhos. Alguém, esse, que provar-te-á que o amor jamais seguiria qualquer plano. E que tu, na verdade, só andavas à procura dele nos locais errados. Quando é amor, vocês acham-se um ao outro, simplesmente, sem sequer ser preciso procurar.
Essa pessoa não será aquela com que tu tanto sonhaste. Mas é melhor ainda… por ser real.
A.F.
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