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MORTE ÀS PROMESSAS

08-02-2016 22:30
Entende uma coisa: aquele miúdo que te amou, no início, nos tempos que vão lá atrás, não é mais o mesmo. Esse, que passava cada um dos minutos do seu dia contigo no pensamento. Esse, que sonhava um conto de fadas ao teu lado. Esse, que fazia todo o mundo esperar, só para ir ao teu encontro. Não. Esse tal miúdo foi-se. Por circunstâncias da vida, ou dela própria, foi-se. Cresceu. Essa miúdo virou um homem , sem que tu te tivesses apercebido disso.
 
Entende: eu não quero que me digas que iremos durar para sempre. E muito menos que me prometas. Foi uma das muitas coisas que mudou em mim: o quão evito promessas de qualquer género. Não se trata de não acreditar em nós como um todo: nada tem a ver com isso. Mas eu não quero que me prometas algo que vai além de ti e de mim. Eu não quero jamais que, um dia, te ressinta por me teres falhado. É essa a parte das promessas que toda a gente esquece: o quão vãs se podem tornar, com o passar do tempo. Para quê prometer? Que nos serve rodearmo-nos de promessas? No final, e maior parte das vezes, estas são quebradas e para ali ficamos... Rodeados de cacos compostos por antigas juras de amor, que agora só nos soam a mentiras. E um ressentimento enorme para com alguém que já tanto amámos, só porque esse não conseguiu ficar connosco - por mais que ninguém tenha a culpa (tantas vezes que é assim).
 
 
Entende: eu não quero que me prometas um para sempre. Eu quero apenas que compreendas. Que entendas o facto da vida ser um processo sinuoso, sem qualquer caminho premeditado, onde nunca podemos saber o que nos espera. E, às vezes, as coisas simplesmente deixam de funcionar. As pessoas deixam de ser certas como outrora foram. Os problemas amontoam-se e já não restam espaços para arrumá-los. Eu sei que isto é assustador, mas, às vezes, algo inesperado acontece e o fim aparece. Eu só quero que compreendas que, se alguma vez tudo isto chegar ao fim, não foi por não nos termos amado, em tempos. Eu amo-te, hoje. E sei que tu também. Em vez de o prometer, porque não nos amarmos simplesmente (enquanto dura)?
 
Entende, também: eu não quero que me completes. Eu já existia antes de tu apareceres. Eu quero apenas que o nosso amor nos permita ser maiores e melhores, a cada dia que passa. E eu quero ser forte contigo, mas não quero que tu o sejas por mim. E eu quero fazer-te feliz, mas não quero que a tua felicidade dependa apenas da minha existência. Eu quero que ambos cresçamos juntos e, ao mesmo tempo, como pessoas separadas. Porque, quem sabe?, um dia o nosso chão rui e as nossas paredes vão abaixo... e eu quero que tu tenhas o teu próprio lugar seguro.
 
Nunca te esqueças: numa relação existem três pessoas, e não duas, como toda a gente pensa. Existes tu, existo eu e existimos nós. E eu não quero nunca que me prometas um nós infinito, quando nem o eu nem o tu o somos. Eu quero apenas que nós valhamos a pena. E que tu continues a valer muito, e que eu continue também, mesmo que longe um do outro. Mesmo que em vidas completamente separadas.
 
Eu não preciso de ti para (sobre)viver. Mas eu quero-te. Eu quero-te e muito. Porque a vida não é a mesma quando tu não estás. Porque o amor não me sabe a nada, senão puder demonstrá-lo num beijo tão nosso. Mas também não quero nunca que o nosso fim seja o teu. Nem o meu. Eu quero-nos aos dois felizes aconteça o que acontecer, entendes? Simplesmente... por vezes... a pessoa que amas deixa de ser aquela capaz de te fazer o mais feliz possível.
 
E, por fim, entende: posso não precisar de ti, mas quero-te mais que sempre e como nunca. Não te prometo nada. Mas espero que acredites na mesma.
 
A.F.

 

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COMO AMAMOS PESSOAS QUE AMÁMOS.

04-02-2016 21:47
Ainda te consigo sentir, sabias? Acordo e cheiro-te nos lençóis, apesar de já nem serem os mesmos que usava, quando ainda aqui estavas. Acordo e encontro a tua silhueta a levantares-te da cama e a ires fumar um cigarro à varanda, apesar de eu saber que estou sozinho em casa. Acordo e sinto-te comigo, mas eu sei que tu não estás mais aqui. Só queria poder ouvir a tua voz… Mas tu já há muito que te calaste.
 
Se velhos hábitos morrem dificilmente, então maus hábitos são ainda mais difíceis de se perder. E eu tenho medo que, por mais em frente que siga, para sempre te encontrarei a segurar aquela parte do meu coração que jamais terei de volta. Um antigo amor confunde-nos como nenhum outro, porque não sabemos onde o deixar. Então enterramo-lo num canto qualquer do nosso peito e tentamos esquecer que este lá está. Mas eu bem sei… que o meu velho amor se deita no fundo do meu coração, todos os dias. Consome-me por dentro. Nalguns dias, torna-se tão insuportável, que mal consigo respirar. Noutros, mal dou por ele, como se se tivesse dissipado. Mas eu bem sei… que ele continua cá. Este meu corpo - que tanto tocaste, outrora - jamais me deixaria esquecer-me de ti por completo.
 
Se me perguntasses se ainda te amo, eu dir-te-ia que não imediatamente. E nenhum de nós os dois iria saber se estou a mentir ou a dizer a verdade. Mas, depois, eu vejo-te a passar do outro lado da rua e bloqueio. E o meu cérebro contorce-se e entra em guerra com o meu coração. “Tu não o amas, lembras-te? Pelo menos, não devias. Só podes ser estúpido se pensares que o amas!”. Mas esse meu coração ignora-o e continua a chamar por ti. Ainda bem que é o cérebro que controla tudo isto… e mantém a minha boca cerrada. E permite os meus pés de prosseguirem o seu caminho.
 
Não me perguntes se ainda te amo, porque eu não sei, na verdade… Acho que não. Ou, talvez, sim. Talvez vou para sempre amar-te. Não como uma noite estrelada de Verão, mas sim como velhas fotografias desgastadas pela erosão do tempo. Ou como um sol a mergulhar no horizonte ao fim do dia. Ou como o tronco de uma árvore que temos de cortar para saber que idade tem (foste tu que mo ensinaste, lembras-te?).
 
Porque é assim que nós amamos pessoas que outrora amámos. Desta maneira desapegada, por sabermos que não há mais nada a fazer com tamanho amor. E que os dias para o remediar já há muito se esvaíram de nós. Porque é assim que nós continuamos a amar pessoas que outrora amámos. Não sabemos o que fazer com tal amor, porque já não nos conhecemos sem ele. Foi essa a parte mais dolorosa no meio disto tudo, sabias? O quanto me perdi a mim mesmo por entre esse processo que foi amar-te.
 
Mas eu continuarei a viver a minha vida. Continuarei a conhecer outros corações com a esperança que, quiçá, um deles fará o meu voltar a bater. Não da mesma maneira com que bateu por ti - isso jamais seria possível. Mas doutra maneira: menos intensa. Menos avassaladora. Continuarei a sorrir para que ninguém se aperceba do quanto me abanaste e quebraste completamente. Para que ninguém descubra que jamais serei inteiramente livre (de ti).
 
Lembras-te quando me disseste que havias criado raízes em mim? Na altura, acenei-te com a cabeça apenas. Agora, apercebo-me que estavas tão certo… Elas ainda aqui estão, bem enraizadas no meu peito. É tão triste saber que, delas, nada voltará a crescer e a dar flor.
 
Deste-me o mundo e os sonhos. E deixaste-me aqui, sozinho, a sonhar-te para sempre. Por saber que só isso me resta. Por saber que jamais voltarás a ser real.
 
A.F.
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HOJE PASSEI PELO NOSSO ESCONDERIJO, DE OUTRA ERA

04-02-2016 21:46

Continuava igual. A disposição das mesas; o cheiro intenso do café. Olhei de soslaio para a mesa onde nos sentávamos sempre: lá, no canto esquerdo da sala. Ainda lá estão as nossas marcas, sabias? Mesmo que esbatidas pela erosão dos tempos que passaram… Depois perguntei a mim mesmo quanto tempo havia passado, desde a última vez que viéramos aqui. Porém, não descobri. Então, deixei estar. Limitei a sentar-me ali, no lugar onde sempre me sentava, de frente para ti; assim fiquei, a encarar uma parede vazia e um lugar vazio. A senhora do balcão, sempre sorridente, de súbito disse-me: "Há tanto tempo que não te via por cá!", como se me perguntasse o porquê de tal facto. Limitei-me a sorrir-lhe e a encolher os ombros, respondendo: "Falta de tempo". Menti. "É um cappuccino, certo?", perguntou-me e eu acenei. Voltei-me para a frente e a parede ainda lá estava: despida, como nunca antes fora. E depois, nem sei bem porquê, aquele lugar pareceu-me tão… Estranho. Desconhecido. Apesar da disposição das mesas ser a mesma, do aroma ser sempre igual e de ter sempre a mesma empregada simpática por trás do balcão, que já sabia o meu pedido, por continuar a ser o mesmo, continuei a sentir-me fora de água. Completamente deslocada, como que num sítio nada-familiar, meramente desconfortável… Talvez porque se encontrava inteiramente desprovido da tua presença? Não sei. A verdade é que foi a primeira vez que lá fui, depois de… Enfim. A empregada deixou o cappuccino fervente à superfície da mesa, de frente a mim, e retomou ao balcão. No entanto, voltou para junto de mim, uns segundos depois, e perguntou-me, sempre com aquele seu sorriso doce nos lábios:

"E o teu amigo? Não pôde vir fazer-te companhia hoje?"

Hesitei por uns momentos, enquanto tais palavras imprevisíveis me ecoavam na cabeça. Em seguida, abanei a cabeça e levantei-me. Despedi-me da simpática senhora e abandonei o snack-bar. Aquela estrada - tantas foram as vezes que a percorremos, lado a lado sobre o passeio, de copos na mão, conversando acerca de mil e uma coisas diferentes, de sorrisos no rosto e línguas escaldadas pelo café quente.

Afastei-me daquela avenida e vim rumo a casa. Nem acabei de beber o cappuccino; atirei-o fora e fiquei a vê-lo esboçar os passos que outrora percorremos, ainda marcados pela estrada. E foi aí que me apercebi que sinto a falta daquela pessoa que costumava fazer aqueles caminhos ao meu lado.

E lá prossegui a minha jornada, enquanto lentamente ia sendo arrebatado com a consciência de que agora (e para sempre) seria assim.

A.F.

 

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RESSACA DE SENTIMENTOS, OVERDOSE DE SAUDADES.

31-01-2016 15:21
Todos cometemos erros. Todos agimos mal perante tal situação. Eu não sou excepção.
Apesar do que tu costumavas dizer… Que eu seria sempre a excepção de tudo.
 
Eu bebi a grandes tragos tudo aquilo que estava a sentir - nostalgia, energia, transtorno, raiva... -, sem sequer pausar para respirar. Olhava para ti e lá se enchiam mais copos e cada vez mais cheios. Não conseguia parar. Queria deixar de pensar; deixar de sentir, simplesmente… Não consegues perceber que estava a ser demasiado difícil?
 
E, assim, então, perdi-me simplesmente. A minha sanidade abandonou por completo o meu corpo, em meros segundos, apenas deixando para trás um vulto perdido e cansado, que se esgota a si mesmo numa busca por ar. Ar esse que jamais encontrará em lado algum. Foi nisto que me tornei, naquele momento. E a partir daí. Se acho que fiz o certo? Obviamente que não. Eu fiz o completamente errado e inconsciente. E, no entanto… Foi a única coisa que consegui fazer, de todo. Se me orgulho por isso? Posso assegurar-te que estava a sentir tudo mesmo, menos isso…
 
E depois fui-me. Tombei, agarrado ao meu próprio corpo, enquanto era arrebatado pela sensação de estar a trespassar o chão. As saudades estavam a tomar posse de todos os meus sentidos; de todas as minhas acção. E eu deixei-me levar por elas… Queria que elas me levassem consigo, fosse para onde fosse. E, num suspiro fugaz, fechei os olhos e, mesmo antes de me desligar, veio-me à memória aquela noite, naquele mesmo sítio, quando te ajoelhaste perante mim, de olhos sorridentes nos meus, enquanto eu te ajudava a levantar.
 
E onde estás tu agora, enquanto estou a cair?
 
A.F.
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A CONFISSÃO DE UM LOUCO POR AMAR(-TE).

30-01-2016 00:42
Esqueci-me de dizer-te tanta coisa. Ou talvez foi o próprio medo que me enlaçou a garganta num nó. E eu nem sei o que temia mais. Afinal, o que haveria para temer, depois de te ter perdido?
 
Eu admito que me magoaste imenso, ao longo do tempo. Mais do que te revelei, mas menos do que me apercebi. Conseguiste retornar a minha vida - vezes sem conta - a esta espera interminável. Que voltasses de vez, para ficar. Que conseguisses aceitar-nos nas falhas, nas discussões e nos maus entendidos. Que nos concedesses a derradeira oportunidade que poderia salvar-nos a ambos. Mas tal nunca acontecia. Voltaste muitas vezes - isso é certo. Porém, o teu olhar continuava a adivinhar um adeus iminente. As tuas mãos tremiam demasiado para conseguirem segurar-me por completo. E o teu coração - sempre tão baralhado - nunca me deixava entrar. Tantas foram as vezes que voltaste, apenas para partires de novo.
 
E eu devia ter-te dito. Devia ter-te confessado o quanto me magoavas, depois de virares as minhas esperanças em cacos. Mas eu nunca fui assim. Esboçava um sorriso triste e ficava a ver-te partir simplesmente. "Eu fico bem" tornou-se no meu lema ensaiado. E a minha vida transformou-se nesta peça de teatro, em que todas as cenas só me serviam para mostrar ao mundo o quanto eu estava melhor sem ti. Mas ora aí está: não passavam de farsas. Umas a seguir às outras. Porque, na verdade, eu amava-te a um ponto sem quaisquer precedentes. Amava-te ao ponto de deixar-te ser livre como sempre quiseras. Amava-te ao ponto de não me permitir esquecer-te. Por mais que só me soubesses ferir. Por mais que só me soubesses deixar a amar-te sozinho.
 
Por alguma razão, esconder tornou-se mais fácil. Agir como se não te precisasse, parecia-me a melhor opção. Deixar-te partir e deixar-te voltar eram como que as únicas soluções que eu havia encontrado para não te perder. E eu devia ter-te dito. O quanto pensei em ti em noites de insónias. O quanto morria de ciúmes quando sabia que estavas interessado em alguém. O quanto desejei com todas as forças que me amasses como eu te amo. Mas nunca to disse. Talvez por orgulho, talvez por medo... Eu sei lá.
 
Até que me apercebi de que amar-te em segredo, é como nem te amar de todo. E que viver na mentira de que não te preciso, torna-se na vida mais solitária de todas. E eu não quero virar mentiras e segredos em gavetas cobertas de pó. E muito menos em palavras desvanecidas ao vento, para jamais serem ouvidas.
 
E eu quero que tu me ouças: eu amo-te. Ainda hoje sabe a certo, por muito errado que possa ser. Por muita dor que me faça sentir. Eu amo-te ao ponto de saber que não me amas de volta. Eu amo-te ao ponto de saber que esquecer-te seria o melhor para mim. E, no entanto, também te amo ao ponto de não querer saber de nenhuma dessas coisas para nada.
 
O amor vira-nos loucos. E eu só gostava de ser aquele tal louco, no meio de tantas, que, nalgum momento da sua vida, está certo. Só gostava que me provasses de que tenho razão em amar-te.
 
Mas eu sei que não o farás. Afinal, quem amam são os loucos. E a única louco aqui, sou eu.
 
A.F.
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EU VI-O APAIXONAR-SE POR OUTRO

28-01-2016 18:55
 
Eu vi-o apaixonar-se por outro. Eu assisti mesmo a esse cenário, tal qual um filme que vamos ver ao cinema, e que ficamos na dúvida se já o vimos alguma vez, ou não. Foi mesmo a isso que soube tudo aquilo: a uma mágoa já esperada, temida e preparada, há imenso tempo… Mas não se iludam: doeu exactamente como deveria ter doído. E temo não ter as palavras certas para descrever tamanha dor, porque tenho a certeza que ainda não foram inventadas…
 
Eu vi o homem que amava, apaixonar-se por outro. Se bem que, ao princípio, não passava de uma desconfiança teimosa minha. Afinal, eu (ainda) amava aquele homem; conhecia-o como mais ninguém. E havia qualquer coisa na maneira com que ele me respondia às mensagens, que tanto denunciavam o quanto eu (ainda) estava à sua espera. As suas respostas eram firmes, frias, directas e objectivas, quase que suplicando “segue em frente…”. Como quem já há muito o fez.
 
Eu vi o homem que mais amei, apaixonar-se por outro. Nem sei se foi por acaso, ou por intenção, mas numa conversa com um amigo em comum, o seu nome surgiu. E, aí, eu fiz as típicas perguntas “como-quem-não-quer-a-coisa”: como é que ele está, os estudos, a vida, se continua o galã que sempre foi. “Não, de todo”, diz-me o amigo com um sorriso no olhar. E foi aí que eu soube. Um homem aparecera e conseguira fazer o que eu nunca consegui, apesar de ter tentado com todas as forças: que ele ficasse.
 
Eu vi o homem que não conseguia esquecer, por nada deste mundo, apaixonar-se por outro. Descobri o nome dele e fui logo vasculhar as suas redes sociais, como se isso fizesse algum sentido. Fotografia a fotografia, e quanto mais observava o seu perfil, mais eu me apercebia do quão diferente ele era de mim. Como? Como é que ele conseguiu apaixonar-se por alguém que não tem nada a ver comigo? E porquê? Porque é que eu insisto em ser tão masoquista, parvo, estúpido… Agora, estou no perfil dele: já há tanto tempo que lá não ia… tretas… Músicas românticas, citações de romances, uns atrás dos outros… Porquê? Porque é que ele parece tão mais apaixonado por ele, do que alguma vez esteve por mim?
 
Eu vi o único homem que amei, a seguir em frente sem mim. Apesar de todas as promessas. sonhos. planos. Eu vi-o apaixonar-se por outro. Apesar dele sempre me ter dito que nunca ninguém iria tirar-me o lugar. Que nunca ninguém iria conhecê-lo como eu o conheci. Agora? Agora tudo isso - as promessas, os sonhos, os planos - estavam a ser feitos com ele. E todas as palavras que ele me dissera… Agora é ele quem as ouve. Então, mas, e eu? Como pode tudo ser tão injusto para mim, se sempre fui eu quem lutou, sem nunca pedir nada em troca?
 
Até me ter apercebido que, vê-lo apaixonar-se por outro, não foi, de todo, a coisa mais dolorosa a que eu assisti. De repente, lembrei-me de todas as vezes em que este me mentiu, olhos nos olhos. De todas as vezes em que me afastou, por medo ou por egoísmo. De todas as vezes em que lhe gritava, mas ele nunca fazia por me ouvir. E, por fim, de como foi ter de vê-lo partir, de malas feitas… Isso sim, foi maior que qualquer outra dor.
 
Eu vi aquele homem apaixonar-se por outro. Aquele homem que, outrora,se apaixonou por mim. Aquele com que vivi uma história como nenhum outro. Aquele cujas falhas eu aprendi a amar, acima de tudo, por fazerem parte de quem ele é… E esse tal homem partiu-me o coração e apaixonou-se por outro. Talvez porque ele sempre soubera que ambos merecíamos melhor.
 
A.F.

 

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COSTUMAVAS DIZER QUE A VIDA TE IRIA ENSINAR. ENTÃO, PORQUE É QUE A VIVES DE OLHOS E OUVIDOS TAPADOS?

26-01-2016 15:12
 
O nosso carácter é avaliado através das nossas próprias decisões. Ao dizer "próprias", refiro-me unicamente àquelas que tomamos por nós e para nós, sem qualquer influência de outras pessoas. Mas não pensem que estou a falar daquele tipo de decisões que tomamos todos os dias, como por exemplo, o que iremos vestir no dia seguinte ou se deveríamos ou não cortar o cabelo de uma maneira diferente. Não. Eu falo das decisões difíceis. Decisões essas capazes de mudar por completo tanto a nossa vida, como a vida de outrem. São essas que realmente importam.
 
Ou seja, andarmos por aqui como que a fugir às decisões difíceis que tão urgentemente têm de ser tomadas, não implica necessariamente que sejamos uma pessoa com mau carácter, mas algo pior que isso: um indivíduo desprovido do mesmo. E acreditem em mim: não há absolutamente nada pior que isso.
 
É nos momentos mais difíceis que conhecemos realmente quem nos rodeia; é neles que conhecemos realmente nós mesmos. E não naquelas alturas sorridentes da vida, em que parecer bem é demasiado fácil. São esses momentos e decisões difíceis por que passamos e tomamos, que nos constroem como pessoas.
 
Então e aqueles que ignoram os maus tempos, como que esquecendo a tempestade lá fora, sentados à berma da estrada, à espera que tudo passe? Esses que preferem vaguear por aí, sem nunca olhar de frente a vida; deixando todas as decisões ao sabor do vento, sem nunca as encarar?
 
Quem são esses? Eu digo-vos.
São corpos isentos de espírito, de alma, de fé, que nunca encontrarão realmente a felicidade e o amor, por estarem demasiado ocupados a fugir do que lhes assusta ou daquilo que simplesmente pensam não conseguir lidar. São seres que acreditam que, ao fugir de tudo isso, serão capazes de viver unicamente pelas/nas coisas boas. Coitados, coitados, de tão errados que estão…
 
- Porque, na verdade, para se alcançar alguma coisa realmente nesta nossa vida, temos de lutar e persistir. Temos de trepar bem alto e temos de cair bem fundo. Temos de nos levantar e, mesmo que pensemos em desistir, há que continuar a dar tudo por tudo. Temos de acreditar, confiar em pleno e amar não só o simples, mas também o defeito! Temos de passar por momentos infelizes, em que a angústia, a mágoa, o medo e a confusão constantes serão o próprio ar que respiramos e superá-los!; teremos de fazer as piores e mais complicadas decisões da nossa vida, que mudarão por completo o rumo desta, em curtos instantes. Por vezes, vamos desejar voltar atrás, por acharmos ter feito uma má decisão; outras vezes, vamos abraçar as nossas escolhas e orgulhar-nos delas. Vamos arrepender-nos; vamos correr riscos; vamos perder e, também, vencer. Vamos dizer "amo-te" e ouvir mais que um "adeus"; vamos magoar e ser tão desiludidos, que até perderemos a conta… Vão haver tempos, em que iremos desejar adormecer e só acordar daqui a muito tempo, tal como outros em que iremos deitar-nos num instante e com uma enorme ânsia de acordar no dia seguinte. Vamos sentir-nos a morrer por dentro; vamos sentir-nos, muitas vezes, bastante sozinhos e perdidos. Vamos sentir-nos radiantes por estar a viver e por sermos capazes de amar e de acreditar, de confiar! Vamos ultrapassar problemas, tal como muitos outros irão surgir. Vamos aprender. Vamos querer fugir; mas temos de ficar - nunca parar, porque parar é morrer. Vamos respirar fundo e aproveitar todas as oportunidades que realmente queremos, ignorando tudo o resto, tal como vamos desperdiçar outras, às vezes sem sequer nos apercebermos.
 
É assim que se vive.
Achas que estás a viver?
 
 
Ainda estás a tempo de acordar
 
 
A.F.

 

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LOUCOS UM PELO OUTRO

25-01-2016 18:27

De todos os loucos, eu escolhi-te a ti. Porque, de alguma maneira, a tua loucura era a única capaz de dançar ao mesmo som que a minha. Soube disso assim que te conheci. Sozinho e enclausurado no teu próprio mundo, ao som de uma melodia que mais ninguém seria capaz de ouvir. Excepto eu. Eu escutei-a de imediato e, assim, lançámo-nos os dois ao mesmo ritmo. As pessoas olhavam-nos e diziam
- Parecem dois loucos!
E nós éramos, de facto. Éramos realmente doidos um pelo outro.
Foste aquele que mais me arrancou das estribeiras. Trocavas-me as voltas todas, de uma maneira que nunca cheguei a compreender. Bastava um gesto, uma palavra... E todo o meu mundo abanava por completo. Fazíamos amor não só através do toque, mas por meio de respirações, de partilha de ambas as nossas almas. Os nossos corpos perdiam-se, despidos, mas nós, sempre quentes, mais nos íamos encontrando um ao outro. E as nossas discussões acesas e ardentes, que nos levavam a berros estridentes e ao quebrar de pratos. No final, juntos, adormecíamos sobre os cacos.
Era tudo tão complicado, que até se tornara simples. A forma como me olhavas nos olhos, como se me conseguisses despir só assim. E talvez conseguisses mesmo. Agarravas-me nos teus braços, como se jamais me fosses largar; como se jamais fosses permitir que eu fosse doutra pessoa, que não teu. E talvez fosse verdade. A maneira como soletravas o meu nome, como mais ninguém o fazia, como se só tu fosses capaz de saber-me por inteiro. E talvez fosse mesmo assim.
Nunca concordávamos com nada. Éramos loucos ao ponto de querer discordar acima de tudo. Perdíamo-nos em brigas sem fim, que até nos esquecíamos das razões por que lutar. Insultavas-me a plenos pulmões, e eu elevava a voz mais alto ainda. Levávamos qualquer castelo à ruína e ao despedaço. A poeira assentava, depois de tudo, e lá estávamos nós... Rodeados pela destruição que só nós causáramos. Rodeados de silêncio que ainda denunciava palavras horríveis de se dizer. E, no entanto, acabávamos abraçados e ainda com as feridas a latejar à flor da nossa pele. Não fôssemos nós a nossa tortura; e a nossa salvação ao mesmo tempo.
Fomos os maiores loucos, por não termos feito sentido algum. E mais: por nunca termos querido saber disso. Insistíamos nos erros, até nos tornarmos na sua doente repetição. Insistíamos nas mesmas discussões, que nunca nos levavam a nenhuma conclusão. Insistíamos em encaixar-nos, por mais que nem fizéssemos parte do mesmo puzzle. Quiçá, nunca fizemos. Mas isso não nos interessava: só queríamos ficar juntos. Por mais que nos pudesse matar um ao outro.
Tornámo-nos ambos em assassinos. Que só queriam matar a saudade. O desejo. O medo. Quem diria que, um dia, acabaríamos por matar também o nosso amor.
Valera tudo a pena. Foste a loucura que me trouxe à vida. Foste a loucura que me levou à morte. E eu sempre soube que seria assim. Desde o momento em que te vi e que, juntos e sozinhos, dançámos a mesma música. Aquela que mais ninguém conseguiria ouvir.
Nunca mais me senti tão vivo, do que quando do teu lado. 
E se fôssemos loucos - mais do que nunca - e tentássemos tudo outra vez?
A.F.

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SEXO... SEM AMOR (+16)

25-01-2016 18:26
Há qualquer coisa de tragicamente mágica em sermos arruinados por quem mais amamos. Era isso que dizia a mim mesmo, assim que me encontrava no mesmo fundo do poço. (Até perdi a conta das vezes… Tal a desgraça em que eu me tornara.) E por quem? Por ele. E porquê? Porque eu acreditava veemente que era assim que tinha de ser. Que o Amor era a tal doença incurável; o expoente da loucura; a guerra insana por que valeria sempre a pena morrer.
 
Jamais irei esquecer de como tudo se passava, de todas as vezes. A sensação de vê-lo aproximar-se de mim - de sentir as tais palpitações e o embrulhar do estômago, a que chamam de borboletas. (Tretas…). O sentimento intenso, um tanto voraz, avassalador que me possuía, de cada vez que nos víamos entre quatro paredes. Longe dos olhares, virávamos brutos, doentes, carnais. Puxões no cabelo, dentadas à flor-da-pele, arranhões ao longo das costas, tempestades vis entre lençóis; a miscelânea dos nossos suores e suspiros, a sede incontrolável de tê-lo mais fundo, de tê-lo mais perto… Como se nunca nada fosse suficiente.
 
Por mais que o tivesse junto a mim, ao ponto em que já nem sabia onde o meu corpo acabava e o dele começava. Por mais que o agarrasse entre as minhas coxas. Por mais que o segurasse contra o meu peito, que ele beijava e mordia, como se quisesse devorar-me. (Talvez queria… Assim o fez). E por mais que nos consumíssemos até não restar nada; fosse no quarto, ou no sofá, ou no chão… Nunca nada nos sabia a suficiente. (Tal doentio era o nosso Amor…)
 
E a nossa ânsia em nos arruinarmos; em nos levarmos a ambos à loucura. Os berros bêbedos a ecoar por toda a casa. O whiskey barato do seu hálito contra o meu bafo a licor mais barato ainda. O fumo dos cigarros a turvar ambos os nossos rostos, que sabe-se lá desde quando haviam-se deixado de conhecer. Tamanha era a amargura das nossas palavras: tu és um estúpido e tu és uma merda, e vai-te embora, não apareças nunca mais. Mas nós nunca íamos. Partíamos todos os pratos e acabávamos, na mesma, dormindo sobre os cacos.
 
Era essa dança repetida. Esse ciclo vicioso que não nos deixava deixarmo-nos em paz. Era essa corrida para ver quem chegava primeiro ao fim. Era essa insistência no que há muito deixara de fazer sentido, por ser a única coisa que nos fazia sentir vivos. Eu… Ele… Só nos soubemos arruinar enquanto o nosso Amor durou.
 
Porque, de cada vez que estávamos juntos como um só, eu acordava cheio de feridas na pele, marcas dos seus dentes, e nódoas negras por todos os locais onde ele me agarrara. Porque, de cada vez que fazíamos Amor, ele quebrava-me de tal forma e, depois, partia, nunca se preocupando em juntar os tais cacos. Ele partia e só o seu cheiro ficava, a alimentar a espera do seu regresso. Tudo sumia com ele… Menos as tais marcas que me doíam no corpo, e eu ria-me porque acreditava que o Amor deveria ser feito sempre assim.
 
Mas que Amor? Agora que penso nisso, nunca sequer o fizemos. Éramos demasiado brutos. Éramos demasiado loucos, dementes, possessivos e irados… Éramos monstros, que se escondiam entre noites alcoolizadas, entre lençóis gastos. Éramos as roupas espalhadas pelo quarto, junto à porta, como que adivinhando que ambos iríamos partir.
 
E o Amor jamais pediria que nos partíssemos daquela maneira… Que Amor? O Amor nunca se faria assim. E eu descobri essa diferença demasiado tarde para me salvar da ruína em que esse me deixou.
 
A.F.
 
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CARTA A PESSOA QUE QUIS DE VOLTA

15-01-2016 13:39
CARTA A PESSOA QUE QUIS DE VOLTA
 
Olá… Então, já não te lembras de mim? Não faz mal, posso sempre voltar a apresentar-me. Afinal, fui a tol que mais gastou palavras (e tempo) em ti. Porque não voltar a fazê-lo, uma última e derradeira vez? Engraçado, não é? Disse-te isto tantas, mas tantas vezes… Lembras-te sequer de quantas vezes foram essas? Vezes, essas, em que falámos de um fim que nunca mais chegava? Quem diria… Esse fim chegou quanto menos esperávamos. Ou, quiçá, fui o único que não estava à espera.
 
Eu fui o primeiro homem que se entregou a ti de corpo e alma. E, ao mesmo tempo, a primeiro a quem te entregaste, por mais que o negasses a meio mundo. Eu fui aquele que te apresentou a palavra ‘amor’, por mais que dissesses aos teus amigos que eu era apenas “o tal que só te chateava até à exaustão”. Eu fui quem, do teu lado, superou discussões, aceitou defeitos e concedeu oportunidades, só para que pudéssemos ficar juntos. Para os outros, no entanto, nunca passei daquela que simplesmente não te sabia deixar em paz.
 
Então, já te lembras de mim? Eu, aquele que te amou, até nos momentos em que mais te odiavas - e eram tantos… Eu, aquele que te beijou à chuva, por mais frios me gelassem os ossos. Eu, aquele que deixou o mundo de parte, e a si mesmo, só para poder fazer parte de ti. Sim, porque, afinal, nunca sequer me soubeste amar por inteiro; e muito menos entregares-te por completo. Mas eu contentava-me, porque lá está… Eu fui aquele que não pedia por mais, por sempre ter acreditado que tu eras o melhor que eu alguma vez poderia ter.
 
Mas essa, o homem que eu fui, já lá vai. Ficou do outro lado das paredes, a perder-se na amargura e na dor de te ter perdido. E a afogar-se nas mágoas desesperantes, e a corroer-se nas feridas causadas por todas as batalhas que lutara por ti - e que nunca lhe serviram de nada. Esse tal homem ficou lá atrás, a chorar desalmadamente por pensar que te tinha perdido para sempre… Agora? Agora sou o homem que sabe que, afinal, foste tu quem me deixou escapar.
 
Na verdade, eu nem quero que te lembres de mim, porque tu já nem me conheces. Não foi só o meu penteado que mudou, e muito menos as minhas bandas predilectas, ou a forma como me visto. Não. E eu sei que tu nunca acreditaste que as pessoas mudam, mas acredita em mim (ou então não acredites, tanto me faz): eu não sou mais aquele homem que te amou, mais a ti do que a ele mesmo. Eu cresci tanto, a partir do momento em que a tua perda se transformou nas lições que eu tanto precisava de aprender. De que o amor jamais nos deixa livres de nós mesmos. De que o amor jamais pede que lutemos sozinhos. E de que amar nunca deveria doer tanto, e me deixar sem nada, como foi amar-te a ti.
 
Quis tanto ver-te voltar… Até te falava dos dias e das noites que passei, a desejar-te. A querer-te. E a massacrar-me por entre dúvidas mais despenteados que os meus cabelos. Mas tu não mereces saber. Afinal, a obcecado sempre fora eu. A que insistia em não seguir em frente. A culpa era toda minha, não era? E esquecer-te deveria ter sido tão fácil como foi para ti esqueceres-me. Enfim… Nunca paraste um segundo que fosse para tentares compreender-me. E porque haverias? És uma criança que só quer tudo de bandeja. Pois, deixa-me dizer-te: tu não vales a pena. E eu mereço alguém que esteja disposto a lutar por mim.
 
Espero realmente que sejas feliz. Não digo isto para soar gracioso ou altruísta. Antes pelo contrário. Eu espero mesmo que tu, um dia, ames tanto alguém como eu te amei a ti. Que te tornes capaz de ir tão longe por alguém, como eu fui por ti. E que, quem sabe, um dia, te encontres do meu lado, a dares tudo de ti a quem nunca achará suficiente. Até lá… sê feliz com esse alguém… como, um dia, eu também fui contigo.
 
Sabes qual é a melhor parte de quebrares completamente e seres deixado como que sem nada? É a oportunidade de poderes começar de novo. Eu… Aquele que não se imaginava sem ti. Agora? Agora não imagino outra coisa.
 
A.F.
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ÂNGELO FERNANDES