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PASSEI POR TI, E NÃO TE VI

11-08-2015 16:50
A parte pior de perder alguém que já nos significou imenso é, a meu ver, o depois do fim. É aquele momento fatídico em que passamos por essa pessoa na rua, ao acaso, e somos assoberbados por todas as memórias que partilhámos com ele. E, aí, temos de virar a cara e agir como se nem a conhecêssemos de todo. Quando, na verdade, somos quem a melhor conhece.
 
É tão estranho ter de encarar alguém como se nem passasse de um desconhecido qualquer. Desconhecido, esse, que quase sabemos de cor. Os seus medos, os seus sonhos e as suas histórias - muitas dessas que partilhámos do seu lado. O problema é que, quando tudo acaba, as recordações permanecem e atingem-nos como agulhas. Aquele alguém que ali se encontra, e que nos ignora, e que nós ignoramos de volta, já nos foi tanto - senão tudo. E agora?
 
Agora, não passas de um estranho. Um estranho que, outrora, adormecia no meu colo. Um estranho que, um dia, era o primeiro a saber tudo de mim. Era quem lá estava sempre e em primeiro lugar. Agora? Agora passo por ti e nem te vejo, de tão distantes que estamos. Se dói? Mais do que nunca. De todas as vezes, muita é a minha vontade de ir ao teu encontro e abraçar-te apenas. Arrumar as mágoas nos bolsos e segurar-te, para que tudo voltasse ao que era.
 
Mas as coisas não funcionam assim - talvez. Quem me conhece sabe que nunca deixo o orgulho apoderar-se de mim. Mas, neste caso, nem se trata disso, mas sim da minha dignidade. Essa, que tanto se rebaixou por ti. Essa, que deixaste de respeitar e de ter em conta. E eu não mereço isso de quem adoro. Porque quem me merece na sua vida, sabe como me deve tratar. E tu esqueceste-te de como o fazer.
 
A parte pior de ter-te perdido por completo desta vida, é ter de passar por ti nos locais que tão bem conhecemos juntos e fingir que não te vejo. Mas eu vejo-te sempre. Eu olho de soslaio para que não repares. E assim que vou a um sítio que costumava ser tão nosso, saboreio-te como sangue na minha boca. Pergunto-me, hoje, se também tu sentes o mesmo.
 
A verdade é que eu acredito veemente que nem te importas. E que, para ti, também já só sou uma estranho qualquer. É isso que te demonstro, também. É isso que transpareces. Que triste, não é? Nem um nem o outro alguma vez saberá a verdade. Porque nós limitamo-nos a ficar cada um no seu canto, a ignorarmo-nos mutuamente. E é tão difícil e tão horrível, porque eu conheço-te. Porque eu preocupo-me, ainda, muito contigo.
 
E tenho de calar-me e seguir sempre. Pergunto-me se também tu me olhas de soslaio para que eu não note. Talvez seja melhor nem saber, afinal de contas.
 
Não passamos de estranhos com memórias e com uma história longínqua. Portanto, talvez seja suposto não passarmos disso mesmo. Afinal, quem se merece, arranja sempre forma de ficar.
 
Eu e tu deixámo-nos de nos merecer um ao outro. E essa verdade não merece castigo, por já ser um castigo por si só.
 
A.F
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"WANT TO TAKE A LOOK INSIDE?"

11-08-2015 16:30

Durante anos, empenhei-me em construir esta espécie de barreira impermeável à volta do meu coração, impedindo qualquer ser de alcançar o seu interior. Até que tu apareceste; até que tu deitaste todas as muralhas ao chão e aproximaste-te, sem sequer pedir permissão. E nem era preciso. Destranquei as fechaduras e abri-te as portas. Foste o único, após estes anos todos, que teve o privilégio - apesar de não o teres visto como tal - de olhar-me mesmo a fundo. Mas bem, para não começarem a pensar que daqui surgiu uma linda história de amor, digo-vos já que nada teve a haver com isso. Foi mais um daqueles típicos contos em que a rapariga, crente e ingénua, se deixou levar pelas palavras lindas e enganadoras de alguém que nem sabe quem é, ou o que quer. (…) A parte mais engraçada - diga-se de passagem - desta crónica foi o facto de te teres revelado completamente sob os meus olhos. Porque, para além de que, enquanto caías a pique, me arrastavas contigo, depois de cairmos nem te preocupaste em saber se eu estava bem. Sacudiste-me de ti como se eu não fosse nada mais que grãos de terra, e prosseguiste caminho. E lá fiquei, deitada sobre o chão frio, com a poeira a rodear-me por completo. E, sozinha, sem a ajuda de ninguém, tive de sair dali. Agora, estou a recuperar da queda. E de uma coisa te garanto: por ti, não volto a cair outra vez, de certeza absoluta.

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NEVER LOOK BACK, 'CAUSE THERE'S ALWAYS SOMETHING IN FRONT OF YOU.

10-08-2015 14:46
Quantos de nós já não passámos por isto? O quebrar do coração?
É uma das sensações mais avassaladoras que se pode imaginar: ter de lidar com o facto de que o mundo que outrora construímos ao lado de outra pessoa está a desabar completamente, à nossa volta. Começa sempre com pequenas coisas que, a princípio, nem damos a importância devida. Chamamos-lhe de enlaces; pequenos acidentes de percurso. Ao darmos por nós, sentimos o chão que sempre nos suportara a tremer imenso, e depois, de uma forma gradual e, no entanto, repentina, vemos tudo ruir. Não sabemos para onde havemos de nos virar; que passo dar; o que fazer. Acabamos por ser abarcados pelo medo, que nos impede de pensar direito. Olhamos para todos os lados à procura de qualquer que seja a razão por tudo estar a cair, quando, na verdade, nós e a outra pessoa é que somos os causadores de tudo. E mais nada, nem mais ninguém. E depois começamos a atribuir culpas; a descarregar a nossa consciência, como se tais tarefas fossem apaziguar a dor da queda. Mas não o fazem. O mundo continua a ruir, à frente dos nossos olhos - e o pó torna-se tanto, que já nem conseguimos ver mais a pessoa por quem nos apaixonámos. Nem a pessoa que costumávamos ser ao lado dela. Perdemo-nos, portanto, num piscar de olhos. Por fim, já só restam os destroços do que outrora era uma realidade inquestionável, que vivíamos todos os dias e as memórias. Memórias essas que, com o tempo, se tornarão tão distantes ao ponto de quase nem conseguirmos senti-las como nossas. Isto, sem esquecer a dor lancinante que se planta no nosso peito vazio e na nossa alma tão incompleta, reflectindo-se na mágoa que transparece nos nossos olhos (por isto diz-se que são estes as janelas da alma). Porque, mesmo que depois de tudo isto, queiramos esboçar um sorriso nos lábios, são os olhos tristes os nossos delatores. Depois, seguem-se os tempos em que andamos por um mundo qualquer, onde sentimos que nem pertencemos, feitos sem-abrigo. Não sabemos para onde ir e qualquer lugar, igual ao precedente. A tristeza é a única coisa que nos faz sentir vivos, porque, de facto, não sentimos muito mais do que isso, afinal. 
Sim. O quebrar do coração é uma das piores sensações que já passaram por mim. 
Mas sabem, toca a nós mesmos reconstruí-lo. Toca a nós reconstruir-mos uma nova realidade, onde nos poderemos sentir em casa, de novo. Mesmo que uma realidade mais solitária e inteiramente diferente da anterior, não significa que não nos poderemos sentir bem na mesma. 
Eu, pelo menos, sinto-me bem como estou. Muito lutei e muitos rumos tomei para chegar aqui, onde estou agora. Muito perdi, sim, e muito ganhei, também. Agora estou assim, como estou, e sinto-me orgulhoso por ter ultrapassado uma das piores experiências que já ocorreu na minha vida.
 
Porque são essas, as mais temíveis e complicadas, que nos fortalecem; que nos fazem crescer.
 
 
A.F.
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QUERO AGRADECER-TE. SIM, A TI

10-08-2015 14:40

Nunca pensei que me fosse conformar tanto com esta realidade, mas até nem foi assim tão difícil. Provavelmente este será um daqueles textos em que vocês, leitores, não perceberão inteiramente a que me refiro - e, porém, talvez até se enquadrem um pouco nisto tudo. (…) A verdade é que se olhar em introspecção para a pessoa que eu era, há um ano atrás, jamais imaginaria que estaria assim, agora, com esta vida; estas pessoas; estas experiências e tudo mais. Por isso é que posso dizer que, de facto, cresci. Eu vivia cegamente com aquele ponto de vista que a minha vida não poderia nunca mudar, senão eu seria incapaz de aceitá-la como minha. Estava enganado. Agora sim, é que sinto que vivo ao máximo e em pleno. Agora sim, sinto-me eu, a todos os momentos. Mas atenção: não estou a culpar ninguém; nem sequer estou a tentar culpar-me. É assim que funciona: acreditamos com todas as certezas do mundo que a vida tem de ser assim, ou nada. Mas não. A vida é tudo, de todas as maneiras e está em constante mudança. E eu adoro isso. Adoro o rumo tão diferente que a minha vida tomou; adoro a pessoa em que me tenho vindo a tornar; adoro tudo por que tenho passado e adoro tudo o que encontrei. Mesmo que, no momento, não me tenha apercebido disso. (…) Ainda me lembro quando todos os caminhos davam ao mesmo. E eu achava que era assim que haveria de ser; que era assim que estava feliz: naquele ciclo horrivelmente repetitivo e completamente vicioso. Agora não!

Agora sei que mudar foi a melhor coisa que nos aconteceu.

A.F.

 

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PARA TODOS VOCÊS, QUE AMAM...

09-08-2015 23:52

Queridos leitores apaixonados,

 

Hoje escrevo para vocês. Isto porque, ultimamente, tenho me deparado com muitos enamorados que por aí andam a fazer as escolhas menos certas... Mas quem sou eu para opinar, quando também eu já fui um de vocês? Mesmo assim, não consigo permanecer em silêncio.
Quando estamos apaixonados, tornamos as coisas mais complicadas do que são e, por vezes, mais bonitas do que aparentam ser. O amor não é fácil. Convençam-se disso e já é meio caminho andando. É uma constante luta pelo “manter”; “perdurar”... Nunca tomar nada como garantia – porque absolutamente nada o é. Promessas de amor eterno são bonitas, sim. Todos gostamos de nos apoiar nelas: nas palavras sorridentes e fáceis, que saiem p'la boca. Querem um conselho? Não se alimentem delas. Não se agarrem a promessas. No final, acabarão por ficar soterrados de coisas não-cumpridas; de frustrações e de desilusões. E ninguém gosta disso, pois não? Bem me parecia.
O amor não são promessas, nem acordos. O amor não é felicidade, nem outra coisa qualquer. O amor é apenas amor, e nada mais. Poupem os adjectivos e usem-nos noutra coisa.
Sempre gostei do amor, em todas as suas formas e plenitudes. Chamem-me romancista se o quiserem, mas eu penso que o amor é mesmo daquelas coisas que dão o sentido à vida. Está em nós e em tudo o que nos envolve. Aquela sensação de simplesmente vermo-nos com alguém do nosso lado, a apoiar-nos e a fazer-nos sentir completos (e confusos) de todas as maneiras... É surreal. É uma maravilha. Quando tal não acontece, então não é amor. Ponto final. Não se iludam.
Se dura para sempre? Não garanto. Mas enquanto dura... Devemos vivê-lo. Viver tudo. As discussões estúpidas, os ciúmes comichosos, os actos calorosos, os choros desalmados, os períodos teimosos de confusão e angústia... Tudo! O amor não é inteiramente feito de borboletas cor-de-rosa, mas também de tempestades. O modo como as ultrapassamos é que o constrói... Não são aqueles momentos bonitinhos e fáceis de mão dada e sorriso no rosto, em que amar torna-se fácil. Não amar apenas o simples, mas também o defeito – princípio essencial. Se para amarem determinada pessoa, têm de retocá-la, então isso nem é amar... É uma outra coisa qualquer, que nem sei.
Um dia perguntaram-me: “E quando a pessoa nos magoa... Não nos ama?”. Claro que ama, mas ninguém é perfeito. As pessoas magoam-se umas às outras: faz parte da condição humana! Sad, but true. Agora, o quanto vocês aguentam e superam parte de vocês mesmos e do amor que sentem... Depois existem aqueles casos em que magoam, porque não amam, ou porque nem chegaram a amar... Mas penso que, nesses casos, simplesmente sabemos, não é? Pelo menos eu consigo detectar bem quando já não sou amado. Os sinais estão lá todos. O amor é cego? Erro! Lembrem-se: nada de adjectivos. Agora... Talvez vocês é que sejam os cegos. Mas isso já nada tem a haver com o amor.
Para terminar, entrego-vos um conselho: se amam, agarrem e não deixem escapar até terem esgotado as forças e as razões. Amar é dar a mão; dançar à chuva... E é largá-la e partir, quando chega a altura de parar. Como saber? (...)
Sente-se, apenas. É tudo à base disso. No amor não se sabe nada... Não existem quaisquer certezas. Apenas... Sente-se. E, no fundo, isso basta. O amor não é para se perceber. Mas vá, podem tentar. Eu falo assim, como se muito soubesse, mas não sei. O amor continua a surpreender-me todos os dias. E eu adoro isso; esse seu jeito tão inconveniente. Aliás, não o quereria doutra forma.
E jamais… Nunca deixem de amar, aconteça o que acontecer.

 

A.F.

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PENSO.....

09-08-2015 23:51

Penso que, ultimamente, tenho (re)aprendido imensas lições que há muito esquecera… Como, por exemplo, agarrar-me unicamente àquilo que tenho realmente, nunca me deixando (des)iludir por aquilo que poderia vir a ter… Foi esse um dos enormes erros que cometi, nos últimos tempos. Obviamente que não estou a dizer que não devemos lutar pelos nossos sonhos - jamais o diria -, contudo, em certas situações, temos de saber quando havemos de parar de fazê-lo: ao estarmos demasiado feridos de todas as maneiras para sequer conseguirmos continuar em frente. (…) "Nunca desistir"? Recentemente apercebi-me de que já nem se tratava disso mais. Era simplesmente eu, a forçar e a investir nalgo que não me era (mais) alcançável, teimosamente nadando contra a corrente, constantemente correndo o risco de me afogar.

Cansei-me… E agora parto numa nova jornada, trazendo comigo tudo aquilo que tenho, e nada mais. E, pensando bem, isso basta-me. Estas pessoas que me rodeiam e que tanto me apoiam e adoram por tudo aquilo que sou e anseio; estas circunstâncias felizes e estáveis que me abarcam, no dia-a-dia e o meu lar que tanto me conforta e integra… São tudo o que preciso, neste momento.

E assim serei feliz.

A.F.

 

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ESTRANHOS. AMANTES. ESTRANHOS.

07-08-2015 23:50
Apareceste-me de rajada e – chamem-me de louco, mas – eu soube logo que eras tu. Tu serias aquele que havia aparecido para virar a minha vida do avesso. Tu serias aquele que vinha para ficar. Digamos que, com o tempo, vim a aperceber-me que só uma das minhas previsões estava realmente certa.
 
Começou por uma simples paixoneta, típica de adolescente. Quando te via chegar ao longo do corredor, o meu coração acelerava. Quando te apanhava a olhar para mim, mais ainda ressoava no meu peito. E com um mero beijo teu... tudo me estremecia. Todo o meu mundo abanava a um gesto teu. E que coisa tão mágica que era essa!
 
Mas isso era quando éramos crianças. Inebriados por algo que nos era tão desconhecido. Gostávamos à flor da pele, sem nunca pensar demais. Tomávamo-nos como garantidos. E pensávamos ter todo o tempo do mundo. E, no entanto, não tardou a cairmos na realidade... Essa pequena chama de paixão havia-se tornado nalgo muito maior. E muito mais fora do nosso controlo.
 
Amávamo-nos. Sim, era verdade. Não pensávamos noutra coisa, senão nisso. Fazíamos amor como nos filmes. Sonhávamos em percorrer o mundo juntos. Inventávamos e deliberávamos planos e mais planos, sempre com o para sempre em vista. Nem o céu era o nosso limite. Porque estávamos juntos. E nem era preciso mais nada, de todo, a não ser isso mesmo.
 
Mas tudo isso era naquele tempo longínquo, onde todas as coisas eram possíveis. Onde um beijo apaixonante nos transportava para outro mundo; um só nosso – aquele ponto onde ambos os nossos corações se cruzavam. Onde um “amo-te” sussurrado por entre a noite, era tal qual um feitiço sem antídoto. Onde um “adeus” daria sempre lugar a um “olá”. Onde o tempo de nada significava, porque éramos maiores do que ele. Fogo. Naqueles tempos, nós éramos gigantes e sentíamo-nos maiores que quaisquer outras coisas. Nem tu sabes o quanto eu sinto falta desses tempos...
 
Acabámos por aperceber-nos de que, na verdade, não passávamos de seres pequeninos com sentimentos demasiado enormes para se suportar. O nosso amor tornou-se demasiado grande para nós dois. Demasiado forte; demasiado intenso; demasiado tudo. Transbordava por todo o lado e esvaía-se das nossas mãos. Pouco tempo levou até começar a desvanecer-se por entre os nossos olhares, sem sequer sabermos como o impedir.
 
Ainda hoje nem sei como é que tudo aconteceu como aconteceu. Talvez, nunca se chegue realmente a perceber nada, no que toca ao amor. Não sabemos de onde vem, porque vem; e muito menos para onde vai, quando não fica (mais) connosco. Nuns dias, parece que nunca sequer existiu. Noutros, quase que consigo ouvi-lo ainda a pulsar no meu coração abatido.
 
A morte de um amor leva-nos mais do que conseguimos admitir a nós próprios. E talvez menos do que seria de esperar, depois de se ter amado tanto. E, aí, ouvimos as típicas cantigas do “seguir em frente” e d’ “a vida continua”... que não nos servem de nada, quando nos sentimos sem qualquer sítio para onde ir. E que caminho hei-de tomar, se nenhum desses me levará a ti? E que vida é esta, capaz de continuar, enquanto marcado pela tua completa ausência? Quando, outrora, lha eras toda?
 
Depois só nos resta a vontade atroz de querer voltar atrás. E viver tudo de novo. Voltar àquele sítio onde nos beijámos pela primeira vez. Voltar àquela noite, onde nos perdemos nos braços um do outro. Voltar àquele primeiro “amo-te” trocado. Voltar àquele momento em que, ambos, acreditámos que todo este amor iria (mesmo) durar para sempre. Mas aí está: a vida não nos deixa. Ela continua, por mais que contra à nossa vontade.
 
E nós? Ou seguimos com ela, seja para onde for, ou deixamo-nos ficar parados nesse lugar: que nem é passado, nem presente, nem futuro. Que nem é nada, para além de puro vazio e puro silêncio. Que não passa de memórias: essas, que acabarão por ser erodidas pelo passar do tempo. Essas, que guardamos com mágoa agridoce, por tudo aquilo que tanto nos fez feliz e, ao mesmo tempo, condenado a nunca mais se repetir.
 
Mas ninguém vive de memórias. Essas só nos matam aos poucos. E cansado já eu estou de me deixar morrer. (...) A vida não começou em ti. E em ti, com certeza, não irá acabar.
 
Certo?..
 
A.F
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ANTES SER NADA, QUE UMA MERA OPÇÃO.

07-08-2015 00:36
Para mim, acabou. Cheguei ao ponto de não retorno. Apanhei o voo só com um bilhete de ida. Finalmente, chegou a altura de baixar os braços e não lutar mais por manter-te na minha vida. E eu sei o que as pessoas vão pensar: “sim, já disseste isso incontáveis vezes antes”. E sim, é bem verdade. A diferença é que, neste caso, eu não estou a dizer nada. Estou apenas a partir, de vez.
 
Não me arrependo de nenhuma das coisas que fiz por ti. Não me arrependo de todas as vezes que engoli o meu orgulho e fui atrás, só para que tudo ficasse bem. Não me arrependo das noites em branco, a tentar decifrar-te a ti e a nós. Nem tão-pouco me arrependo de todas as alturas em que perdoei os teus erros, ou as tuas palavras que não passavam de mentiras. E as lágrimas infindas que derramei por ti? Que seja. Afinal, se for para chorar, que seja por alguém que já nos concedeu tamanhas alegrias.
 
Mas, para mim, acabou mesmo. Tudo isso. Até porque se me esgotaram as palavras e os choros e as forças. E, hoje, acordei para um dia de sol e apercebi-me que mereço mais do que ser uma mera opção tua, que não hesitas em pôr de lado. Sempre te coloquei à frente do mundo inteiro, e a tua paga foi meteres-me em último plano, assim que te chegavam as - ditas - distracções. Para mim, chega! Eu nunca fiz nada por merecer ser rebaixado por ti, depois de todas as vezes que fui a único que se preocupou em levantar-te.
 
Acusas-me de interferir na tua vida. Acusas-me de não te deixar ser livre. E acusas-me ainda mais de não virar a página e estar sempre a tocar o mesmo disco. Então e tu? Não é isso que tu fazes, quando gostas tanto de uma música, ou de um livro? Pois. Bem me parecia. Mas, na verdade, deixei de gostar de tudo o que representas. E todas essas acusações falaciosas, não fazem sentido. Até porque o meu maior sonho era ver-te ser feliz como nunca foste. Até porque sempre tentei alimentar essa tua sede de voar.
 
Livre? Sabes sequer o que isso representa? Para ti, é estares na vida amarga e louca das noites, a envolveres-te em corpos aleatórios e a derramares copos que nem contas. Ser livre não é isso, meu caro. Ser livre é seres quem és e fazeres o que te vai no coração. E se essas coisas são aquilo que tu queres e aquilo que tu és, então eu não gosto de ti simplesmente.
 
Nem da minha amizade foste digno. Olhas para mim enquanto choro, e viras-me a cara. Desrespeitas-me das piores maneiras e nem a decência tens de vir pedir-me desculpa, por mais que te pareça algo insignificante. Nunca conseguiste entender os meus sentimentos e o meu apreço por ti. Gozavas-me, apenas. É mais fácil, não é? Mas a verdade é que, de todas as vezes que caías, eu estava lá a amparar-te. E de todas as vezes que saías magoado, era eu quem te limpava as feridas. Nunca me retribuíste nada e eu cansei-me de esperar. Para mim, acabou.
 
Acusas-me de pedir demais. Acusas-me de nunca estar satisfeito e de querer tudo à minha maneira. E, no entanto, tu é que insistes em ser demenos, e sempre foste tu quem levou a avante. Sempre foste tu que fizeste o que bem querias, que me magoaste vezes sem conta, e eu perdoei-te. Tu vinhas e eu deixava-te. Tu sorrias e eu sorria de volta. Agora? Agora já nem te consigo encarar sequer.
 
Achas que estás melhor sem mim? Enganas-te. Eu fui tudo aquilo que alguém deveria ser para ti. Fui demais, até. Eu fui tudo aquilo que ninguém jamais conseguiria ser. Eu fui aquela que te adorou incondicionalmente, até mesmo os teus lados mais obscuros. Então responde-me: quem é que, aqui, fica a perder? Tu, que perdeste quem mais fez por ficar contigo; ou eu, que só soube ser gozado e usado sem qualquer pudor? Pois. Bem me parecia.
 
Talvez, um dia, te apercebas que eu só estava a tentar ajudar-te a ser maior. Enquanto tu só me soubeste tratar como se eu fosse o mais insignificante possível.
 
Posso não ter ganho a guerra. Mas foste tu quem perdeu quem mais lutava por ti.
 
A.F.
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JUNTO A VARANDA

07-08-2015 00:28

Junto à varanda, observo a noite a chegar. E à medida que a escuridão se vai assolando sobre mim, e enquanto os meus olhos vão deixando de ver o que há à minha volta, sinto-me a voltar àqueles tempos que julgara esquecidos. Voltei àquela avenida onde te roubei o nosso primeiro beijo, debaixo da chuva. Voltei àquela noite que passámos a mirar as estrelas cadentes, enquanto pedíamos desejos de um para sempre para nós. Voltei àquele dia quando me disseste que me amavas pela primeira vez. Voltei àquela tempestade que nos fez perder um do outro; e de todas as promessas que fizéramos a dois. Voltei àquela tarde em que me disseste para te esquecer de vez. Voltei àquela festa em que me confessaste querer tentar de novo. Voltei às nossas tentativas falhadas; às nossas discussões sem nexo, e ao nosso último “adeus” mudo.

Começo a pensar que, talvez, poderia ter-te dado mais de mim. Podia ter-te agarrado com mais força. Aliás, ambos poderíamos ter feito isso, se não tivéssemos sido tão crianças e tão egoístas. Foi o teu medo assolador; a tua falta de paciência e de vontade, misturados com o meu orgulho e com a minha incompreensão, que levaram ao nosso derradeiro fim. Eu falava demais; tu falavas de menos – e foi aí mesmo que falhámos. Mas também, porque é que estou a pensar tanto nisto, se já lá vai o tempo em que algo poderia ter sido feito por nós?

Eu digo-te o porquê: porque o coração não tem um interruptor “on/off”, para ligar ou desligar aquilo que se sente. E porque quando penso que já te esqueci por completo, perco-me em lembranças de momentos nossos, como que um barco sem remos. E porque quando penso que já segui em frente, tu cruzas-te no meu caminho e fazes-me querer recuar. E também porque foste o único amor que conheci... E como é que alguém se esquece de algo assim, tão facilmente?

Choro em segredo, enquanto continuo perdido por entre tempos que julgara esquecidos. Choro, enquanto os vejo passar de frente aos meus olhos, como um filme a que nem posso chegar. Choro, enquanto recordo – por ser a única maneira de voltar a viver tudo outra vez. Mas eu não estou a fazê-lo de todo. Aliás, estou a matar-me, mais do que qualquer outra coisa.

Acabo por enxugar as lágrimas e sinto-me a sorrir no escuro. Acabo por me aperceber de que o que tivemos foi tão real. Foi amor – desde o primeiro beijo, à última despedida; desde o derradeiro “amo-te”, até ao “sai da minha vida”. Fomos tão bons juntos, como uma montanha-russa, como uma tempestade e como uma bonança – tudo ao mesmo tempo. Foi tão real e fomos os melhores que conseguimos ser - mesmo que não tenha sido o suficiente.

Não tivemos o nosso final feliz, mas eu também nunca acreditei neles, em primeiro lugar. Um fim é um fim, não é verdade? Simplesmente acontecemos e terminámos, como tudo na vida. E, no entanto, sei que para sempre seremos eternos, naqueles tempos que julgara esquecidos. Sei que para sempre te terei lá, e para sempre te guardarei comigo, apesar de tudo.

Levanto-me e decido enterrar-te no fundo do meu coração. Ainda tenho mais espaço, pensei, enquanto sorria. Talvez um dia haverá alguém capaz de me encher o peito por completo.

 

A.F.

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OLHA PARA MIM... TU É QUE PERDESTE.

04-08-2015 21:32

Olha para mim. Vês como estou feliz? E, pela primeira vez na minha vida, tu não és o causador disso mesmo. Engraçado, não é? Como, outrora, eras tu a razão intrínseca do meu sorriso. O motivo único do meu desespero. O rio de onde provinham as minhas lágrimas. Os dias todos do meu calendário.

Agora? Agora és Passado. Pela primeira vez, em tantos anos, não passas disso mesmo: um tempo que já lá foi, para não voltar mais a ser conjugado. Um assobio mudo que por entre o vento se perdeu. Vento esse, que tanto nos despenteava, naquelas nossas tardes invernosas que passávamos os dois a sós.

Olha para mim. Vê como estou feliz. Vê o bem todo que ele me faz e traz: o nada e o tudo de que jamais foste capaz. Apesar de todas as oportunidades e de todo o tempo que te dei. Apesar de todo o significado e de todo o amor que te entreguei nas mãos, em tempos. Para onde levavas o tudo que eu te dava? Nunca o trazias contigo quando vinhas ao meu encontro. Vinhas sempre sem nada, nem sequer com uma desculpa que fosse. E eu nunca soube. Nunca soube sequer onde deixaras a chave do meu coração que eu te entregara, há tantas eras. Mas agora está na hora de tu saberes uma coisa: mudei de fechadura e essa tua chave já não serve de nada.

É incrível, não é? Em tempos, esperei por ti até se me esgotar tudo e mais alguma coisa. Esperei por ti, mesmo quando me mandavas embora. Esperei por ti, à chuva, ao vento e ao frio, despido de tudo, longe de tudo – de ti, de mim mesmo e do Mundo. Amar-te foi como viver numa estação de comboio: em que só vivia em espera e em esperança que chegasses. E tu chegavas, sempre com as típicas juras de amor eterno. Para partires, de novo. Finalmente me apercebi que mereço mais que isso. E já não era sem tempo.

Eu estou feliz. E espero que o sejas também. Espero mesmo. Mas acredita que tenho pena. Tenho pena, porque tenho a certeza que mais ninguém te conseguirá fazer feliz como eu seria capaz. Mas tu nunca me deixaste entrar; e acredita: que muito bati à tua porta. Agora, aí te encontras: deixado no silêncio, nessa casa deserta, onde nem o bater do teu coração se faz sentir. E é pena. Porque eu sempre estive disposta a juntar todos os seus pedacinhos. A curar as suas feridas. Levasse o tempo que me levasse. Até isso estive disposta a dar-te: o meu tempo. Esse, que tanto te dei; esse, que jamais terei de volta.

Olha para mim. Olha uma última vez e só por um momento. Estou a acenar-te um “Adeus” mudo e a fechar-te infinitamente o meu coração. Esse, que batia e soletrava o teu nome de cor e salteado. E que, agora, tem outra música. E esta, desta vez, é-me correspondida, como a tua nunca foi. E é pena. Podíamos ter chegado tão longe, mas a tua falta de vontade, de paciência e de coragem impediu-nos de continuar a história que podia ter sido a mais bela das nossas vidas. (...) Tu é que perdeste.

Mas só queria que soubesses: que estou feliz e que espero que também o sejas. E que nunca desistas dos teus sonhos, como desististe de nós, como desististe de mim, como desististe de ti mesmo. Que pares de te esconder por detrás dessa máscara, que tanto achas que te protege. Mas não te protege de nada. (...) Tinhas tanto medo que o nosso Amor te destruísse... Mas a solidão é que será o teu fim.

(...) Estás a ouvir isto? Não estás, pois não? Este é o meu silêncio: a única coisa que deixo para trás, na tua vida, onde não mais pertenço. Porque já me levaste mais do que merecias de mim. Adeus.

 

A.F.

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ÂNGELO FERNANDES